Categoria: Opinião

  • Neurologista Dr .Diego Dozza aborda o tema ‘Isolamento Social e Depressão’

    Neurologista Dr .Diego Dozza aborda o tema ‘Isolamento Social e Depressão’

    Volto a falar sobre a depressão que vem assolando as famílias nesse período de isolamento social, que parece não ter fim. A depressão apresenta um diagnóstico amplo e heterogêneo. Os sintomas devem estar presentes por pelo menos duas semanas e devem ser severos na maior parte dos dias. A gravidade da doença varia com a quantidade e severidade de sintomas e o grau de perda funcional.  Apresenta geralmente um curso de remissão e nova piora dos sintomas.

    Os sintomas emocionais podem ser: tristeza, ansiedade, irritabilidade, perda do prazer nas coisas, ideação suicida, falta de esperança, culpa exagerada. Os sintomas físicos podem ser: cansaço, ganho ou perda de peso, insônia ou hipersonia, disfunção sexual, dor de cabeça, dor de estômago, dor generalizada, agitação psicomotora. Os sintomas cognitivos são: desatenção, perda de memória, lentificação do pensamento e do julgamento, falta de planejamento e organização. Isso acaba afetando o relacionamento social, no trabalho e na família, criando um aspecto negativo na vida da pessoa.

    O tratamento da depressão possui três fases: o tratamento agudo em que se espera a resposta à medicação, a remissão e a manutenção. A resposta ideal é ter o controle completo dos sintomas e que não haja mais síndrome depressiva no futuro. A retirada da medicação em qualquer uma das fases sem ter completado corretamente o tratamento leva ao risco da piora dos sintomas novamente. Após a fase inicial do episódio depressivo, 50% permanecerão sem sintomas e não terão novo episódio, 35% terão depressão recorrente e 15% permanecerão com a depressão sem ter controle completo dos sintomas.

    Os objetivos do tratamento são conseguir a remissão (fase aguda), prevenir a recaída (tratamento de continuação) e prevenir a recorrência (fase de manutenção). A resposta é definida como melhora de 50% dos sintomas nas escalas de depressão. O risco de recaída é significativamente maior nos pacientes que respondem parcialmente à terapia comparado com aqueles que conseguem a remissão completa (76% x 25%).

    O tratamento envolve o uso de antidepressivos com associação à psicoterapia. Muitas medicações podem dar efeito colateral, mas isso não deve ser uma barreira para o tratamento e deve ser discutida a troca do remédio para o adequado funcionamento. Assim, um tratamento adequado pode solucionar os problemas envolvidos com a depressão e evitar a recorrência e nunca deve ser parado sem a orientação médica. De preferência deve ser realizado o tratamento com o psiquiatra em conjunto com o psicólogo. Existe um novo tratamento adjuvante chamado estimulação magnética transcraniana (TMS), em que é aplicado um estímulo magnético sobre o córtex cerebral que gera um potencial de ação neuronal e auxilia no controle da depressão. Fique atento para o surgimento de sintomas nessa fase de pandemia e procure logo um médico para realizar o tratamento precoce!

    Locais de atendimento:
    Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 1117, sala 501, tel (54) 3622-2989/3622-2990
    Palmeira das Missões – Rua Rio Branco, 989, Sala 301, Edifício Athenas, Centro – Tel (55) 3742-4909
    Frederico Westphalen – Clínica Raimed, Rua Tenente Portela 435, tel (55) 3744-3100

  • Neurologista Dr .Diego Dozza: Dor Crônica – atualidades

    Neurologista Dr .Diego Dozza: Dor Crônica – atualidades

    Como algumas vezes precisamos de boas notícias no meio do caos, segue uma. A Raimed de Frederico Westphalen terá um novo serviço de atendimento para dor crônica. Há tempos venho trabalhando com a equipe para a implementação deste programa. Agora será realizado tratamento para bloqueio de nervo periférico, bloqueio simpático venoso, bloqueio de pontos de gatilho para dor miofascial, todos guiados por ultrassom. Esse é um grande avanço para a cidade, pois há poucos centros de tratamento de dor no país.
    E falando de dor crônica, sabemos que muitas doenças a causam e que pode ser incapacitante para algumas pessoas. E mesmo com o avanço das medicações do tratamento convencional não conseguem uma melhora satisfatória de seus sintomas. Uma das causas mais comuns de dor crônica intratável é o câncer, além da famosa fibromialgia. O paciente muita vezes necessita de doses elevadas de morfina para conseguir alívio dos sintomas. Apesar de haver novas medicações de uso oral para a dor, muitas vezes é necessária a utilização de procedimento invasivo para o tratamento.
    Então após a falha terapêutica com as medicações convencionais para o tratamento da dor não há mais aquela frase “você tem que se acostumar com a dor e conviver com ela”. Atualmente há um avanço enorme na tecnologia medicamentosa e no tratamento cirúrgico que podem auxiliar na qualidade de vida de quem convive com esse sofrimento. E tem que se lembrar de que o uso crônico e abuso de medicações também pode acarretar em complicações da saúde como, por exemplo, problemas do fígado e dos rins. Então, usar medicação por um longo período não é inócuo.
    Assim, quando não obtemos o controle adequado da dor com as medicações, avançamos no tratamento com a utilização de bloqueios, que podem ser realizados nos nervos, músculos, articulações, intra-articulares. São utilizadas medicações de forma isolada ou em múltiplas combinações. Estes procedimentos são muito seguros e podem ser repetidos até que haja a dessensibilização do sistema nervoso central e o melhor controle da dor.
    E como já dizia Tim Hansel: a dor é inevitável. O sofrimento é opcional. Portanto, vamos lutar por um mundo sem dor!

    Locais de atendimento:
    Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 1117, sala 501, tel (54) 3622-2989/3622-2990
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    Frederico Westphalen – Clínica Raimed, Rua Tenente Portela 435, tel (55) 3744-3100

  • Neurologista Dr. Diego Dozza:: “Síndrome do Pescoço Tecnológico”

    Neurologista Dr. Diego Dozza:: “Síndrome do Pescoço Tecnológico”

    Mantendo a educação sobre dor crônica, hoje falarei sobre a síndrome do pescoço tecnológico (tech neck). A tecnologia chegou para nos auxiliar nas atividades diárias, lazer e trabalho, mas com ela algumas adversidades também surgiram e devemos ter um cuidado especial com nossas crianças e adolescentes.

    A cervicalgia (dor no pescoço) é um importante problema de saúde pública e vem aumentando muito nos últimos anos, principalmente nos mais jovens que ficam horas curvados sobre seus celulares, tablets ou computadores. Estima-se que cerca de 75% da população mundial fique horas por dia curvada sobre seus equipamentos com a cabeça em posição inadequada.

    Muitas destas dores estão relacionadas com a tecnologia e podem ser geradas em qualquer uma das estruturas da coluna vertebral como disco intervertebral, ligamentos, músculos, articulações e nervos, sendo que na maioria dos casos nenhuma doença ou lesão é encontrada, chamando-se assim de síndrome do pescoço tecnológico. Dependendo do ângulo em que mantemos nossa cabeça, esta exerce um peso maior sobre a coluna. Assim, com uma inclinação da cabeça de 30° o peso é de cerca de 18 Kg, podendo chegar à 27 Kg quando a inclinação da cabeça é de 60°! Mantendo a cabeça em posição neutra (0° – olhar reto) esta força é de apenas 5Kg. Assim, má postura na adolescência pode levar à dor crônica na idade adulta. A incidência de cervicalgia ao longo de 1 ano é de cerca de 40% da população geral. Essa dor pode ser irradiada para a cabeça, costas e ombros.

    Desse modo, percebemos a importância da manutenção da postura adequada para exercermos as atividades profissionais e, principalmente, durante o lazer no qual se utiliza algum aparelho eletrônico. Neste sentido devemos manter o celular na altura dos olhos para evitar a sobrecarga sobre a coluna. Além disso, a atividade física com o reforço da musculatura é de suma importância, pois a musculatura ajuda a proteger a coluna vertebral das sobrecargas.

    Há várias complicações já observadas com esta síndrome que podem envolver os olhos (miopia, cansaço visual ou olhos secos), o coração e os pulmões (pela cifose ocasionada), a cabeça e o psicológico (irritabilidade, isolamento, queda do rendimento escolar). As crianças e adolescentes não compreendem a gravidade das lesões futuras, pois os efeitos a curto prazo não são sentidos e no momento não afetam a qualidade de vida, aumentando o temor de que jovens possam ter um futuro de dor e deficiências. O tempo de exposição aos eletrônicos permitido pelos especialistas é de no máximo 1 a 2 horas por dia.

    O completo entendimento da patologia tem que ser conseguido para que se possa fazer a prevenção primária, que é a chave do tratamento. Algumas sugestões para quando se estiver usando os equipamentos são as seguintes: evitar o uso excessivo e fazer intervalos frequentes; evitar posições estáticas por longo período; posicionar o aparelho de forma que reduza o estresse sobre a cabeça/pescoço e os membros superiores; evitar movimentos repetitivos como digitação prolongada e evitar segurar equipamentos pesados ou grandes em apenas uma das mãos por longos períodos. Mas o mais importante de tudo é dialogar e dar o exemplo para o seu filho!

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  • Gerson Luís Batistella: “A educação como caminho!”

    Gerson Luís Batistella: “A educação como caminho!”

    Quando adolescente, sem acesso às atuais tecnologias da informação, imaginava como seria o futuro, quando adulto, onde estaria, como e com quem estaria!

    Oriundo de uma família composta por um casal de pequenos agricultores, descendentes de italianos, e quatro filhos, com dificuldades inerentes, à época, de quem dependia de um pequeno pedaço de terras, decidi que traçaria um caminho diferente e estabeleci a busca pela educação e a formação superior como alternativa para obter essa mudança e, a partir disso, poder contribuir com a melhoria social e econômica da minha família.

    Dos tempos de ensino fundamental e médio em escolas públicas, à noite, para trabalhar de dia, à aprovação e frequência na universidade distante da terra natal, que exigia quase três horas diárias, ida e volta, durante seis anos, à noite, às dificuldades impostas pela não obtenção de financiamento estudantil para realizar o sonho traçado de concluir o ensino superior, muitas histórias, frustrações, alegrias, e um conjunto de sentimentos e emoções que caberiam num livro.

    Hoje, passados empregos, concursos públicos, constituição de uma família extraordinária, mudança de cidade, formação continuada, desafios, percalços e objetivos atingidos, assimilação de erros, dificuldades, ingratidões, olho para essa caminhada com um sentimento de gratidão e alegria a tantos que incentivaram, acreditaram, não desencorajaram. Muitos entes queridos, ao longo dessa trajetória, não mais se encontram aqui, isso se chama saudade!

    A vida nos ensina que a grande maioria da população precisa correr atrás de seus sonhos e objetivos, ela não nos dá nada de graça! É preciso querer, focar, fazer escolhas, deixar algumas opções, realinhar caminhos, trabalhos, amores e, às vezes, os próprios sonhos!

    O importante é ter presente que a vida das pessoas passa, necessariamente, pelo seu processo de formação educacional. O Brasil tem milhões de pessoas que nunca tiveram ou terão acesso à formação escolar plena, da educação infantil à superior. Muitas, não todas, optarão pela formação profissionalizante, antes da superior e isso, provavelmente, também as levarão à concretização de sonhos e objetivos e isso é extraordinário!

    Entretanto, não podemos, como pessoas que somos, na concepção “humana” que utilizamos, aceitar que muitos sequer terão o acesso ou as possibilidades de realizar sonhos e objetivos pois a educação não lhes será oportunizada ou que a vida imporá a necessidade de fazer a escolha entre estudar e trabalhar. O desenvolvimento intelectual de uma pessoa, sua capacidade de compreensão, estabelecimento de ponto de vista, entendimento e senso crítico não deve ser-lhe retirada, aceitando-se que isso “faz parte da vida”. É condenar uma pessoa às dificuldades duras que a vida lhe imporá!

    Como sociedade, naturalizamos com simplicidade situações que deveriam provocar sentimentos de não aceitação e repulsa e, como cidadãos com senso de equilíbrio, a exigir ações e posturas que levem à reparação do erro, do abandono, da desconsideração, da retirada dos preconceitos, da não corrupção, do resgate de sentimentos como humildade, solidariedade e efetiva preocupação com o semelhante!

    A busca por sonhos e objetivos é intrínseco ao ser humano, mas isso não pode levá-lo apenas à preocupação com si próprio e seus familiares, é preciso olhar para o lado, o entorno e poder, de alguma forma, contribuir com a melhoria.

    A educação perpassa o crescimento intelectual e incide diretamente sobre as condições sociais e econômicas, na estruturação de famílias, relacionamentos e a escolhas políticas centradas em pessoas e programas que priorizem o desenvolvimento em todas as áreas, sem distinção, sem perda de valores intrínsecos, na redução dos índices de violência, contribuindo para uma sociedade calcada na percepção e sentimento de que o ser humano é a prioridade!

    (A reflexão é uma homenagem aos 25 anos de TCE/RS e de Frederico Westphalen/RS neste mês e pelos 30 anos de formação superior em Administração pela UPF – Universidade Federal de Passo Fundo, ocorrida em agosto deste ano).

    Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS), Auditor e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Neurologista Dr. Diego Dozza: “Fibromialgia, temos solução?”

    Neurologista Dr. Diego Dozza: “Fibromialgia, temos solução?”

    Como explicado no mês passado a fibromialgia é uma dor musculoesquelética crônica, generalizada, acompanhada por rigidez, parestesia (sintomas de formigamento), distúrbio do sono, fadiga, sintomas somáticos e alterações cognitivas, além de estar associada a diversas outras comorbidades. Isto causa perda na qualidade de vida e funcionalidade. Como tratar tudo isto?

    O tratamento inicial deve ser feito com medidas não-farmacológicas como educação do paciente sobre a doença, higiene do sono, programa de exercícios com alongamento, atividade aeróbica, reforço muscular e necessidade de acompanhamento multidisciplinar, como psicoterapia.

    Deve-se realizar uma educação sobre a dor e seu mecanismo de funcionamento. A fibromialgia é uma doença real e causa dor difusa, não é “uma imaginação da sua cabeça”. É necessária uma mudança para adquirir melhor qualidade de vida com bom padrão de sono, redução da obesidade e também ensinar sobre a doença aos familiares.

    A Terapia Cognitivo Comportamental auxilia os pacientes a entenderem melhor, reconhecerem e modificarem os padrões disfuncionais causados pela fibromialgia, pois muitos apresentam uma personalidade com alto grau de catastrofização da dor que exacerba o estado de dor basal. Atenuação de fatores psicológicos como ansiedade, depressão e catastrofização pode ser conseguido através de várias sessões individuais ou em grupo.

    As intervenções baseadas em mindfulness podem ser úteis no desenvolvimento da consciência dos estímulos e melhorar os mecanismos de enfrentamento.

    A dieta e a perda de peso influenciam no controle da dor e do bem-estar. Devem ser evitados os FODMAPs, glúten e ser tentada uma dieta com mais baixa caloria.

    Os exercícios físicos são fundamentais e deve-se evitar ao máximo o sedentarismo. Na maioria das vezes, o início das atividades físicas pode até mesmo piorar a dor e o cansaço, mas o paciente deve persistir, pois o benefício funcional é importante. O mais recomendado é a atividade cardiovascular de baixo impacto com aumento gradual da carga, respeitando a preferência individual. Nadar, caminhar (não passear olhando vitrines!), andar de bicicleta e hidroginástica são boas opções. Estas devem ser realizadas no mínimo 30 minutos por dia e três vezes por semana. De preferência sempre orientadas por profissional habilitado. A prática de yoga e tai chi também auxiliam.

    Outra opção de tratamento é a realização da neuromodulação. Esta pode ser realizada com a estimulação magnética transcraniana (TMS) ou estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), além da aplicação de estimulação elétrica transcutânea. A neuromodulação do nervo occipital também se mostrou efetiva no controle da dor.

    Concomitantemente a isso também são utilizadas medicações para auxílio no controle da dor, como antidepressivos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares e mais recentemente canabinóides. Estas medicações atuam auxiliando na neuromodulação central da dor e geralmente são utilizadas por longo prazo nas mais diversas combinações. Além disso, também podem ser utilizados analgésicos mais potentes de forma aguda.

    Como se percebe o tratamento da fibromialgia é complexo e de longo prazo. Portanto, a paciência e a persistência devem ser estimuladas diariamente para se atingir um bom resultado. Seja forte!

                  1 – Current Pain and Headache Reports (2018) 22:33 https://doi.org/10.1007/s11916-018-0688-2

    2- differential-diagnosis-of-fi – UpToDate

    3 – Chinn S, Caldwell W, Gritsenko K. Fibromyalgia Pathogenesis and Treatment Options Update. Curr Pain Headache Rep. 2016 Apr;20(4):25. doi: 10.1007/s11916-016-0556-x. PMID: 26922414.

    4 – clinical-manifestations-and-diagnosis-of-fi – UpToDate

    5 – treatment-of-fi – UpToDate

    6 – pathogenesis-of-fi – UpToDate

    Locais de atendimento:

    Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 1117, sala 501, tel (54) 3622-2989/3622-2990

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  • Gerson Luís Batistella:A qualificação de gestores e servidores públicos como indutores à boa aplicação dos recursos públicos

    Gerson Luís Batistella:A qualificação de gestores e servidores públicos como indutores à boa aplicação dos recursos públicos

    O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, nos últimos três meses, realizou nove encontros regionais de qualificação e capacitação de agentes públicos e servidores municipais nas suas nove cidades-sede de Unidades Regionais dispostas no interior do Rio Grande do Sul: Caxias do Sul, Erechim, Frederico Westphalen, Passo Fundo, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santana do Livramento e Santo Ângelo, abrangendo mais de 6.000 pessoas e 450 municípios por ocasião do evento “14º ERCO – Encontro Regional de Controle e Orientação”.

    Foram momentos de aquisição de conhecimentos, troca de experiências, networking, e contribuição para uma gestão pública municipal mais qualificada e apta a prestar melhores serviços às populações municipais, destinatárias dos recursos públicos que são geridas por Prefeitos e Prefeitas, Vereadores e Vereadores, servidores e servidoras de modo geral.

    Assim como as empresas privadas focam na constante qualificação e capacitação de seus colaboradores, devem os municípios gaúchos incidirem nessa área a seus gestores e servidores, porquanto a necessidade premente e constante de qualificação e modernização de procedimentos, fluxos e processos.

    A adoção de uma política consistente, por parte de municípios gaúchos, na área do desenvolvimento e qualificação de seus colaboradores e atores no ambiente público está na base de processos e procedimentos modernos, consistentes e seguros visando à boa aplicação dos recursos públicos.

    Enquanto o desenvolvimento das pessoas, no âmbito público, for tratado como mera despesa e não um olhar como investimento, infelizmente, não vislumbramos melhores serviços retornando às comunidades e maior segurança na boa gestão e governança do ambiente público.

    A adoção de mecanismos de boa governança ou accountability (controle, fiscalização, responsabilização e prestação de contas)  impõe uma segurança maior de que recursos públicos sejam aplicados nas finalidades que efetivamente devem ocorrer.

    Não há mais espaço para a prática de procedimentos e desempenhos que se assemelham a não profissionalização, o amadorismo, o empirismo, a aventura, descaso e despreocupação com o resultado disso. Os tempos atuais são de uma sociedade que requer de seus gestores, democraticamente eleitos, que realizem e se cerquem de bons profissionais, afinal, o resultado está intrinsecamente vinculado a isso.

    Assim, ao viabilizar esses encontros técnicos ao longo do período e ao nosso interior do Estado do Rio Grande do Sul, o TCE/RS demonstra real preocupação com a temática da qualificação e do bem preparar gestores e servidores nessa responsabilidade.

    Ademais, o novo modelo processual implantado pelo Tribunal, especialmente baseado na responsabilização solidária de tantos quantos forem os atores partícipes de irregularidades, chamando-os todos para o processo e não mais apenas o Gestor do Executivo Municipal ou o Gestor do Legislativo Municipal, impõe um maior comprometimento, discernimento e profissionalismo dos servidores municipais.

    Entretanto, torna-se necessária a adoção de uma política estruturada de qualificação a esses servidores. Daí a necessidade de aproximação de nossos órgãos públicos junto às Universidades as quais possuem o capital intelectual a contribuir efetivamente na construção do saber e na troca de experiências e implantação de sistemas de inovação nos procedimentos públicos.

    Reflitamos sobre a importância do conhecimento e da agregação de experiências no ambiente público, bem como da adoção de uma política que privilegie a qualidade dos servidores e um plano remuneratório condizente com tal necessidade, em detrimento do mero quantitativo e da baixa remuneração.

    Gerson Luís Batistella. Administrador. Pós-Graduado em Gestão de Pessoas. Professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Campus Frederico Westphalen. Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS). Coordenador Regional e Auditor Público do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Neurologista Dr. Diego Dozza aborda tema muito importante: Fibromialgia

    Neurologista Dr. Diego Dozza aborda tema muito importante: Fibromialgia

    Muitas pessoas referem ter fibromialgia e nesses tempos de pandemia esta queixa tem aumentado consideravelmente. Mas você sabe realmente o que é fibromialgia?

    A fibromialgia é uma dor musculoesquelética crônica, generalizada, acompanhada por rigidez, parestesia (sintomas de formigamento), distúrbio do sono, fadiga, sintomas somáticos e alterações cognitivas. Apesar da ocorrência em vários locais, a fibromialgia não está associada a reação inflamatória tecidual e a característica principal é que a dor não pode ser explicada por uma doença reumatológica ou sistêmica. Portanto, existem diversos diagnósticos diferenciais como, por exemplo, artrite reumatoide, espondilite, lúpus, síndrome da fadiga crônica ou da dor miofascial entre outras. E ainda para complicar mais as coisas, a fibromialgia pode coexistir com estas patologias.

    Ocorre predominantemente no sexo feminino e com maior prevalência entre os 30 a 50 anos de idade. A sua causa ainda é bastante controversa, mas já se sabe que a privação do sono, baixos níveis de serotonina, redução dos níveis de GH, auxiliam na sensibilização central, sendo considerada uma desordem na regulação da dor, que permite uma amplificação do sinal neural resultando em uma hipersensibilidade à dor. Além disso, cerca de 30% dos pacientes têm diagnóstico psiquiátrico associado, como depressão, ansiedade, somatização, hipocondria, e questiona-se se isso seria uma causa ou consequência. Existem vários fatores desencadeantes como o estresse emocional, infecções, cirurgias, hipotireoidismo, traumatismos, mas algumas vezes não há fator identificável. Os sintomas clínicos principais são a dor associada com rigidez musculoesquelética generalizada e fadiga. Muitas vezes as manifestações clínicas são agravadas pelo estresse, ansiedade, frio, clima úmido e esforço excessivo, e são aliviadas nas estações do ano mais quentes e nas férias.

    Além de toda essa quantidade de sintomas, a fibromialgia pode estar associada com a síndrome do intestino irritável, bexiga irritável, dor de cabeça/enxaqueca, síndrome pré-menstrual, síndrome das pernas inquietas, dor da articulação têmporo-mandibular, dor torácica não-cardíaca e fenômeno de Raynaud.

    O diagnóstico é realizado com a aplicação de escalas e avaliação de pontos dolorosos. Também é necessário excluir outras doenças que podem mimetizar a fibromialgia como a síndrome da fadiga crônica, doenças reumatológicas, distúrbios do sono e quadros psiquiátricos. Não há exame complementar que faça o diagnóstico e são utilizados apenas para descartar outros problemas.

    O tratamento inicial deve ser feito com medidas não-farmacológicas como educação do paciente sobre a doença, higiene do sono, programa de exercícios com alongamento, atividade aeróbica e reforço muscular e tratamento de comorbidades. são utilizadas diversas combinações de medicamentos e terapias adjuvantes como acupuntura, atividade física e acompanhamento psicológico.

    No próximo mês falarei mais sobre o tratamento.

    1 – differential-diagnosis-of-fi – UpToDate

    2 – Chinn S, Caldwell W, Gritsenko K. Fibromyalgia Pathogenesis and Treatment Options Update. Curr Pain Headache Rep. 2016 Apr;20(4):25. doi: 10.1007/s11916-016-0556-x. PMID: 26922414.

    3 – clinical-manifestations-and-diagnosis-of-fi – UpToDate

    4 – treatment-of-fi – UpToDate

    5 – pathogenesis-of-fi – UpToDate

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  • Gerson Luís Batistella: “Vida feita de escolhas!”

    Gerson Luís Batistella: “Vida feita de escolhas!”

    Há momentos, em nossa vida, que optamos por uma pausa e uma busca pela reflexão em relação a pessoas, ações, posturas, fracassos e conquistas. Dessa reflexão conseguimos extrair aquilo que efetivamente importa e conta, e cada um tem uma resposta muitas vezes diferente para isso.

    A vida nos impõe percalços, desafios, escolhas, opções, e isso dita e molda o que nos transformamos com o passar do tempo. Invariavelmente, passamos pelos estudos, traçamos objetivos, erramos e acertamos nas escolhas que fazemos, seja na profissão, no amor, nas amizades, na empresa que trabalhamos, nos políticos em que votamos, mas, o que temos em comum? Uma necessidade de realização, de conquistar, de conhecer, de experimentar coisas e situações que compõe o significado de felicidade!

    Conforme o tempo passa, mudamos o centro das coisas e das atenções. Houve tempos em que já tivemos muita pressa, há momentos que não queremos mais tanta pressa. Os tempos atuais nos mostram pessoas centradas, mas a grande maioria ávida pelo reconhecimento, pela admiração, pelos holofotes, pela busca da admiração alheia.

    Muitas vezes nos espelhamos em pessoas, artistas, políticos, atletas, achando que aquele modelo é o modelo que traduz realização e felicidade. Normalmente, estamos equivocados.

    Não foram poucas as vezes, durante a vida, que nos enganamos, nos desiludimos, erramos. Mas o segredo está em reconhecer isso e partir para outra situação, outros desafios, outras escolhas, sempre achando que, dessa vez vai dar certo.

    Passamos por isso em nossos trabalhos, em nossos relacionamentos, em nossos hobbies, acreditamos em muitas pessoas e, poucas, com o tempo, se mostram verdadeiras e mantém aquele interesse que nos despertou a manutenção de suas amizades, seus relacionamentos e de seus sentimentos.

    Portanto, a reflexão de hoje paira sobre um repensar do momento em que vivenciamos, o que queremos e o que esperamos para os próximos meses e anos. Fazer uma escolha pressupõe, invariavelmente, optar por algo ou alguém em detrimento de outro ou de outros. Devemos cuidar mais de nós mesmos, não apenas no aspecto material, mas fundamentalmente, da pessoa que somos. Ao final, é isso que conta. Holofotes, tapinha nas costas, elogios, geralmente são passageiros ou se mantém apenas enquanto somos importantes ou úteis para pessoas que assim agem. Bastará apenas um momento ou uma situação para que essas mesmas pessoas passem a te tratar diferentemente. Talvez esteja enganado. Será? O tempo geralmente é o senhor da razão.

    Embora a coluna de hoje tenha um viés um tanto filosófico, ela não está dissociada do contexto social, político e da realidade que se impõe, nesse momento, às nossas comunidades e sociedade. Somos engrenagem de um processo de estruturação da sociedade, essa que se encanta com frases bem postas, vídeos que elevam a imagem de pessoas, cenas que encantam, talvez enganam, discursos fáceis e ações que, muitas vezes, não se coadunam com tudo isso. Assim, precisamos trabalhar nossa consciência crítica, separar o certo do errado, pois, errado é errado sempre, e não apenas consideramos assim dependendo de quem comete o erro, ou seja, é errado mas nem tanto se recair sobre alguém que não queremos acreditar! Boas energias e reflexões a todos!

    Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Dr. Diego Dozza:  “Dor Oncológica: há solução?”

    Dr. Diego Dozza: “Dor Oncológica: há solução?”

    Dor Oncológica: há solução?

    A dor causada pelo câncer é muito prevalente e pode atingir até 70% dos pacientes em casos avançados. Mas alguns tipos de câncer podem causar dor desde o início da doença, como no pâncreas, cabeça e pescoço. A dor pode ser causada pelo próprio câncer ou pelo tratamento medicamentoso/cirúrgico, além do comprometimento psicológico. Com o avanço dos tratamentos mais pessoas sobrevivem e cerca de 10% destas apresentam dor severa que interfere na sua funcionalidade. Estudos europeus e americanos demonstram que 56 a 82% dos pacientes não recebem tratamento adequado, e numa revisão sistemática 1/3 dos pacientes não recebeu analgesia adequada para seu grau de dor. Estes são dados significativos e tornam o câncer uma questão de saúde pública, pois ocorrem cerca de 15 milhões de novos casos por ano no mundo, com uma mortalidade de mais de 8 milhões de pessoas por ano. O tratamento deve incluir uma equipe multidisciplinar e envolver a família.

    O tratamento da dor deve ser multidisciplinar e inclui a farmacoterapia, métodos intervencionistas, reabilitação, psicoterapia, neuromodulação e terapias integrativas. Inicialmente são utilizados analgésicos simples e anti-inflamatórios, seguidos do uso de opioides fracos e posteriormente os opioides fortes. Claro que este é um exemplo de esquema muito básico e além da analgesia é necessário o tratamento específico do câncer com radio e quimioterapia que deve ser orientado pelo oncologista.

    Dificilmente um paciente com dor oncológica não utilizará um opioide (codeína, morfina, metadona, fentanil, oxicodona…). Estas são medicações potentes e com potencial efeito colateral e dependência e, portanto, devem ser manejadas por especialistas da área. Para tentar reduzir a quantidade dos opioides são utilizadas outras estratégias terapêuticas como a associação de outras medicações, analgesia do neuroeixo, bloqueio de nervos e neuromodulação invasiva. Algumas opções são o implante de bomba intratecal de fármacos, neurólise do plexo celíaco ou hipogástrico, ablação por radiofrequência ou crioablação e menos frequente implante de neuroestimulador medular. Todas estas opções dependem do local do tumor e o objetivo do tratamento. 

    A utilização da infusão intratecal das medicações através de bombas de infusão implantáveis tem apresentado melhora significativa no controle das dores e com menos efeitos colaterais, pois se utilizam doses menores das medicações, a morfina, por exemplo, é utilizada com uma dose 300 vezes menor que por via oral. Atualmente já foram liberadas várias medicações para a utilização através deste mecanismo, além de poder ser feita uma mistura delas para melhor controle da dor. Então calcula-se a dose que será liberada continuamente ou em pulsos, atuando de forma mais precisa diretamente sobre o sistema nervoso.

    Então após a falha terapêutica com as medicações convencionais para o tratamento da dor não há mais aquela frase “você tem que se acostumar com a dor e conviver com ela”. Atualmente há um avanço enorme na tecnologia medicamentosa e no tratamento cirúrgico que podem auxiliar na qualidade de vida de quem convive com esse sofrimento. E é preciso lembrar que o uso crônico e abuso de medicações também pode acarretar complicações da saúde como, por exemplo, lesões no fígado e rins.

    E como já dizia Tim Hansel: a dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

    1. Portenoy RK. Treatment of cancer pain. Lancet 2011; 377: 2236–2247.
    2. Breivik H, Cherny N, Collett F et al. Cancer-related pain: a pan-European survey of prevalence, treatment, and patient attitudes. Ann Oncol 2009; 20: 1420–1433.
    3.  Greco MT, Roberto A, Corli O et al. Quality of cancer pain management: an update of a systematic review of undertreatment of patientswith cancer. J Clin Oncol 2014; 32: 4149–4154.   
    4. Torre LA, Bray F, Siegel RL et al. Global cancer statistics, 2012. CACancer J Clin 2015; 65: 87–108.

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  • Gerson Luís Batistella: O impacto da redução do ICMS na arrecadação de nossos municípios

    Gerson Luís Batistella: O impacto da redução do ICMS na arrecadação de nossos municípios

    Há poucos dias foi aprovada um projeto de lei federal que permite ao Governo Federal limitar a aplicação de alíquotas que incidem sobre a comercialização de combustíveis, energia elétrica, comunicações, gás natural e transporte coletivo no Brasil à alíquotas máximas entre 17% e 18%.

    Inicialmente, o objetivo é buscar a redução do preço final que é pago pelos brasileiros por esses produtos e serviços, conferindo maior competitividade e redução de preços finais, desonerando o bolso do contribuinte.

    Se, por um lado, a medida é muito bem-vinda ao brasileiro, por outro, importante ressaltar que a arrecadação do ICMS sobre esses produtos e serviços pertence 50% aos estados, 25% aos municípios e 25% ao Governo Federal. Assim, essa redução de alíquotas propostas consistirá na redução de arrecadação de todos esses órgãos, com reflexos na arrecadação financeira mensal de nossos estados e principalmente de nossos municípios.

    Estudos preliminares do Governo gaúcho, através da Secretaria Estadual da Fazenda, estado que aplica as maiores alíquotas, na média 25% sobre esses produtos e serviços, à exceção de óleo diesel (alíquota é de 12% logo poderá ser elevada para 17%), revelam potencial redução da arrecadação gaúcha, considerando o estado e os 497 municípios, na ordem de 5,2 bilhões de reais por ano. Provavelmente, se aprovado o citado projeto de lei pelo Presidente da República (sancionado e publicado), o Governo gaúcho poderá aplicar majoração na alíquota que incide sobre o óleo diesel visando minimizar essa redução de arrecadação, o que levará a um impacto maior nos custos especialmente com fretes e reflexos no preço final de produtos.

    No âmbito de nossos municípios, a redução do valor deverá ser considerada por ocasião dos estudos de planejamento orçamentário e financeiro para os próximos anos, tornando-se extremamente necessária a adoção de medidas de compensação dessa significativa perda de receita, especialmente, pela redução e racionalização das despesas públicas. Não se pode desconsiderar, ainda, que a redução de arrecadação incide diretamente sobre as fontes de recursos do FUNDEB – Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica – ou seja, teremos redução de valores a serem aplicados na nossa tão necessitada educação brasileira.

    Assim, se buscamos, por uma lado, pagar menos impostos e que isso reverta em redução de preços finais que pagamos, o que nos dá um certo alívio em época de desequilíbrio entre o que ganhamos e o que pagamos, especialmente, pela significativa elevação de preços de alimentos, produtos e serviços em geral, decorrentes da pandemia COVID-19, da guerra entre Rússia e Ucrânia e reflexos na área econômica de importações e exportações, com reflexos mundiais, ou seja, muitos países estão passando pela mesma situação, por outro lado, haverá menor volume de recursos financeiros em nossos municípios e estados, o que obrigará a esses órgãos públicos a reduzirem suas despesas, tanto operacionais como em investimentos (realização de obras e melhorias pública e aquisição de bens patrimoniais).

    Portanto, a discussão da alta carga tributária no Brasil perpassa a mera interpretação que basta reduzir alíquotas, mas gera a extrema necessidade de se discutir a qualidade do gasto público, as ações e decisões de nossos gestores na implantação de suas estruturas administrativas e operacionais. É tempo de profissionalizar as gestões públicas, de adotar maciçamente sistemas informatizados e repensar fluxo de processos e estruturas. Precisamos inovar, reformar procedimentos, esse deverá ser o caminho de nossas gestões municipais, não por opção mas por imperiosa necessidade!

    Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.