Categoria: Opinião

  • A probidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos

    A probidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos

    A administração pública é mantida, principalmente, com os recursos financeiros arrecadados da sociedade mediante o pagamento de tributos, os quais incidem sobre a produção, a renda e o consumo. Cada cidadão e cada empresa destina ao poder público, uma parcela de seus ganhos ou faturamentos, bem como quando consome produtos e serviços, cujos valores são canalizados para o Governo Federal, para o seu Estado e para o seu Município.

    Esses órgãos públicos, à medida que recebem esses recursos financeiros, aplicam tais valores na satisfação das necessidades operacionais e a realização de obras públicas e aquisição de bens patrimoniais que devem reverter em favor da população, seja em termos educacionais, saúde, segurança, obras de infraestrutura urbana e rural, dentre outros gastos necessários.

    Espera-se, dos gestores públicos, a probidade e o zelo no gasto desse recurso financeiro arrecadado entre a população. Igualmente, espera-se dos servidores públicos, a responsabilidade, a seriedade e o comprometimento nesse objetivo de bem aplicar tais recursos.

    As normas constitucionais e legais impõem uma série de critérios e requisitos que, obrigatoriamente, devem ser atendidos pela administração pública, quando falamos na realização desses gastos, que chamamos tecnicamente de despesas públicas.

    O primeiro deles é a realização de licitações entre empresas interessadas em vender materiais, serviços ou realizar obras para a administração pública, o que garante o princípio de isonomia e impessoalidade nas compras públicas, tendo o preço praticado pelo mercado como balizador, evitando-se que as compras recaiam sobre fornecedores ou prestadores de serviços escolhidos por mera discricionariedade e favorecimento dos gestores ou servidores públicos e que essas sejam realizadas com sobrepreços aos efetivamente vigentes no mercado.

    O segundo é de que, uma vez licitados, os serviços, materiais e obras sejam efetivamente entregues ou prestados. Admitir meras documentações fiscais sem o efetivo recebimento de materiais, serviços ou obras, caracteriza crime, de responsabilidade de tantos quantos forem os atores envolvidos nesse irregular procedimento, sejam gestores, sejam servidores públicos e os próprios fornecedores emitentes desses comprovantes fiscais. É o princípio da legitimidade da despesa pública.

    O terceiro se relaciona à caracterização da finalidade pública. Todo o gasto de dinheiro público deve ser associado ao atendimento das necessidades da população e a estruturação dos trabalhos. Não se admitem gastos fora desse contexto. Assim, devem os gestores selecionarem as prioridades a partir das demandas de sua população, seja em termos de saúde, de educação, de infraestrutura, cultura, entre tantas outras demandas. Se você tem uma capacidade limitada de recursos, deve escolher o que a população julga mais necessário, não suas escolhas pessoais.

    E, por fim, sem exaurir outros critérios, encontra-se a publicidade na aplicação dos recursos públicos. Ou seja, a disponibilização das informações em portais de transparência e outras formas de publicização, para que a população de cada município, estado ou no país, possa acompanhar a forma com que os recursos canalizados por pessoas físicas e jurídicas, através dos tributos, principalmente, foram aplicados.

    Atualmente, em torno de 50% do dinheiro público, mensalmente, já está comprometido com o custo da folha salarial e seus encargos, o que resulta num menor volume de recursos para a manutenção da máquina pública e a realização de investimentos públicos, como a realização de obras e compras de bens patrimoniais. Assim, a nomeação ou a contratação de servidores públicos deve ser usada com critério e prudência, pois a cada nova contratação, menor o montante de dinheiro que sobrará para a prestação de serviços, de modo geral, à população. A geração de empregos visando à geração de renda não é ou não deveria ser atribuição do poder público. Cabe a ele, sim, as ações necessárias visando que as empresas sejam incentivadas e tenham as condições necessárias para essa geração de emprego ou renda. Inegável, por outro lado que, diferentemente das empresas privadas, a administração pública é caracterizada pela prestação de serviços, logo a necessidade de mais pessoas e correspondentes gastos nessa área.

    A existência da administração pública se justifica pela necessidade de organização da vida em sociedade, em se responsabilizar pela prestação de diversos serviços, especialmente às classes menos favorecidas da sociedade. Os desafios que se impõem à administração pública são inúmeros, a limitação de recursos financeiros também, logo, a serenidade, a responsabilidade, a probidade e o ouvir a população, destinatária da ação pública, se revelam necessárias porquanto o recurso público pertence a essa sociedade e os gestores, na concepção do conceito, foram eleitos ou nomeados para gerirem os recursos públicos que fundamentalmente pertencem a sua população.

    Portanto, administrar um órgão público, seja municipal, estadual ou federal, requer de seus gestores e de seus servidores públicos, o despojamento de interesses ou necessidades individuais, de dar lugar de suas escolhas e preferências pelo atendimento do coletivo, maximizando a aplicação dos recursos e buscando a racionalização de gastos como condição intrínseca à melhoria da prestação dos serviços públicos.

    ¹Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Neurologista  Dr. Diego Dozza dá dicas importantes sobre Enxaqueca

    Neurologista Dr. Diego Dozza dá dicas importantes sobre Enxaqueca

    A enxaqueca ou migrânea é o tipo mais comum de dor de cabeça em consultórios de neurologistas. Pode iniciar em qualquer idade, inclusive na infância, tendo um componente genético. A dor habitualmente é latejante, mas quando menos intensa pode se manifestar como um peso na cabeça. É comum que venha acompanhada de náusea e até mesmo vômito. Durante as crises existe uma intolerância a claridade, a ruídos e a odores.
    Existem dois tipos de tratamento para a enxaqueca: o tratamento agudo (ou da crise) e o tratamento preventivo (profilático).
    O tratamento da crise corresponde ao uso de analgésicos apenas durante a crise de dor. O analgésico deve ser tomado logo no início da dor, pois quanto mais você demorar a tomá-lo, menor será a probabilidade que ele seja efetivo. Mas cuidado! A ingestão excessiva de analgésicos (abuso de analgésicos) pode piorar a dor de cabeça. É difícil compreender por que um analgésico tomado diariamente ou quase diariamente deixa de combater a dor e passa a piorá-la, ocasionando, em muitos casos, um novo tipo de dor de cabeça, chamada cefaleia por uso excessivo de medicação. Existem critérios específicos para consumo excessivo de analgésicos estabelecidos pela Sociedade Internacional das Cefaleias. Porém, de modo prático, se você estiver consumindo medicamentos mais do que três dias da semana, de forma regular, fique atento!, pois você é um forte candidato a desenvolver cefaleia crônica, definida como dor de cabeça em mais de 15 dias por mês.
    O tratamento preventivo da enxaqueca é realizado com medicações que são usadas diariamente por um período que varia de 6 a 12 meses. Estes medicamentos agem no cérebro regulando as vias neuroquímicas que desencadeiam as crises de dor. Os pacientes muitas vezes se assustam com o fato de as medicações usadas no tratamento da enxaqueca serem compostos por substâncias usadas para tratar outras doenças como pressão alta, depressão e epilepsia. Portanto, se seu médico prescrever um destes medicamentos para a sua dor de cabeça, não se assuste, pois elas são usadas amplamente para o tratamento da enxaqueca e existem vários estudos assegurando sua eficácia e segurança. Recentemente a toxina botulínica tipo A (Botox) também foi aprovada para o tratamento da enxaqueca crônica. Além disso, também mais recente o uso do TDCS (estimulação transcraniana por corrente contínua) também se mostrou eficaz no tratamento da dor crônica e enxaqueca.
    Certos alimentos também podem desencadear crises de enxaqueca, o que ocorre em 25% dos pacientes. É importante que se estabeleça a relação causal entre a ingestão de certo alimento e a dor de cabeça. Os alimentos mais relacionados com crises de enxaqueca por apresentarem substâncias, geralmente do tipo amina, com ação dilatadora sobre o calibre dos vasos sanguíneos (esse é um dos mecanismos da dor) são chocolate, vinho tinto e bebidas alcoólicas em geral, queijos, frutas cítricas, adoçantes artificiais tipo aspartame, amendoim, excesso de cafeína, carne defumada, entre outros.
    Algumas alternativas para aliviar a dor de cabeça:
    – aplicar bolsas de gelo na região da dor;
    – tenha horários de sono regrados, evite cochilos prolongados à tarde;
    – dormir menos ou mais que o necessário pode desencadear crises;
    – evite usar rabinhos de cavalo, coque, tiaras ou óculos apertados;
    – durante a crise, evite lugares com claridade e barulho excessivo;
    – alimente-se regularmente (de preferência a cada 3 horas);
    – pratique regularmente exercício aeróbico;
    – terapias alternativas são válidas, desde que realizadas por bom profissionais, como yoga, massagem, acupuntura.
    Portanto, tenha uma vida regrada e procure um médico sempre que ficar em dúvida.

    Locais de atendimento:
    Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 885, sala 1001, tel (54) 3622-2989/3622-2990
    Palmeira das Missões – Avenida: Independencia. Número:1270/ Sala:306
    Centro Tel (55) 3742-4909
    Frederico Westphalen – Clínica Raimed, Rua Tenente Portela 435, tel (55) 3744-3100

  • Gerson Luís Batistella: “Brasil – Riqueza e miséria de mãos dadas”

    Gerson Luís Batistella: “Brasil – Riqueza e miséria de mãos dadas”

    O Brasil é um país de contradições difíceis de assimilar e também justificar. Aos poucos, o País se recupera, em todas as áreas, das consequências da pandemia do COVID-19. Empresas foram varridas do mapa econômico e outras fortemente abaladas, desemprego, diminuição de renda, famílias despedaçadas pela perda de seus entes queridos, a politização e a intolerância tomando conta de todos os aspectos que regem a vida em sociedade.

    Na busca da recuperação, especialmente econômica, descontrole de preços, desabastecimento, inflação, perda de poder aquisitivo, desvalorização do real frente ao dólar, incentivo maciço às exportações nacionais, especialmente de produtos não acabados, ou brutos, como a soja, a carne, o boi, o minério de ferro, etc.

    Muitos lucraram, alguns por aumento de faturamento decorrente dessas exportações e outros por valorização de suas contas em dólar em outros países na esteira do aumento desse dólar no Brasil e seus efeitos, consequência ou propositadamente.

    Na pandemia descobriu-se, usando esse termo, que o Brasil, além dos beneficiados assistencialmente pelo programa federal do Bolsa-Família que irá mudar de nome, que tinha outros 30 milhões de pessoas à margem do emprego e da renda, requerendo o auxílio do Estado, que, sem dinheiro, buscou no mercado financeiro e se endividou.

    Deparamo-nos com a realidade de que a China dá as cartas em tudo, que os EUA não querem ser coadjuvantes, e os demais países a reboque dos interesses desses dois grandes.

    A pujança e/ou potencial econômico do nosso País, que possui grandes extensões territoriais, água abundante, riquezas minerais, inexistência de crises civis ou militares, de fenômenos naturais como terremotos, furacões ou mesmo vulcões, contrasta com a miséria, a fome, a desesperança de milhões de brasileiros.

    Deprimente assistir pessoas, cidadãos brasileiros, numa fila de um açougue qualquer disputando as sobras de ossos retaliados de carne por não possuírem condições de aquisição quando o País exporta abundantemente essa carne e o próprio boi vivo. As pessoas buscando, nos supermercados, a substituição de produtos por de menor preço e qualidade, pois o poder aquisitivo foi corroído pela escaladas de preços. Paralelamente, lemos, assistimos e ouvimos a escalada de lucros do sistema financeiro, de grandes empresas, de aumento expressivo de arrecadações de tributos por parte da administração pública, porquanto, maiores os preços, maiores as arrecadações e dinheiro à disposição.

    Triste ouvir de administradores públicos que as pessoas não deveriam se preocupar em estudar muito ou frequentar um curso superior e que, preferencialmente, quem tem menos condições, deveria fazer um curso técnico qualquer para, minimamente, ter alguma chance de obtenção de um emprego. Contradição quando tanto se fala que o destino de um País passa necessariamente pela educação, de qualidade e de acesso a todos. Contradição, pois esses que compactuam com tal pensamento simplista em relação a terceiros não o praticam na educação dos seus próprios filhos, preferindo mandá-los, inclusive, para formação educacional no exterior. Ou expressões de que, quem não puder pagar, que não viaje, deixe para quem tem dinheiro, lógica perversa de pensamento elitizado.

    A busca pelo equilíbrio entre o desenvolvimento econômico a qualquer custo e que a riqueza por ele produzida possa, minimamente, repercutir na renda das pessoas de modo geral e não apenas a grupos é o grande desafio que se impõe. Não há e não haverá recurso financeiro a distribuir ou aplicar em ações públicas se não for pelo incentivo e o desenvolvimento das empresas e das atividades econômicas, mediante geração de emprego e renda. Porém, há de se desenvolver, culturalmente, a consciência de que haja um meio termo entre o liberalismo econômico desenfreado e as aspirações românticas do socialismo. Não se constrói um País, equilibrado e digno, que não seja pela ação das pessoas, mediante suas habilidades e competências, retribuição pecuniária pelo seu trabalho e colaboração. Isso se aplica não só a empresas, mas à administração pública, às organizações sociais estabelecidas e a vida em sociedade.

    Pensemos sobre isso, pois, até que ponto ou quando deverá prevalecer o pensamento ou sentimento do tipo “eu e minha família estamos bem, os outros não são da minha conta”?

    Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública, curso de Administração da URI – Frederico Westphalen, Professor/Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Prefeitura abre inscrições para as Olimpíadas dos Servidores

    Prefeitura abre inscrições para as Olimpíadas dos Servidores

    A Prefeitura de Canoas abriu as inscrições para as Olimpíadas dos Servidores, que acontecem no dia 23 de outubro, sábado, a partir das 9h, no Centro Olímpico Municipal (COM). Serão realizadas as seguinte modalidades: atletismo, lance livre, voleibol, futsal feminino e masculino e futebol de campo masculino.

    A iniciativa abre a Semana do Servidor, que conta com uma série de atividades, dentro do Programa de Valorização do Servidor Público. Poderão participar das Olimpíadas os servidores e funcionários em cargos em comissão (CCs), da Prefeitura e de órgãos públicos afins, como CanoasPrev, Subprefeituras, Coordenadorias, Câmara de Vereadores, desde que tenham matrícula e crachá para a identificação nos jogos. Será permitido um estagiário nas modalidades de futsal, voleibol e lance livre e dois estagiários no futebol.

    As equipes poderão ser formadas entre as secretarias, respeitando o limite de: três órgãos nas equipes de futsal e voleibol; sem limites para o futebol; e individual nas modalidades de lance livre e atletismo. Um mesmo atleta não poderá participar em mais de uma equipe na mesma modalidade.

    De acordo com o secretário de Planejamento e Gestão, Fábio Cannas, a atividade tem como objetivos promover a integração entre os servidores e as Secretarias Municipais, oportunizar a participação dos servidores em atividades culturais e esportivas, e incentivar e promover a prática esportiva.

    As fichas de inscrição das equipes deverão ser enviadas preenchidas para o e-mail olimpiadasdosservidores@gmail.com, até o dia 19 de outubro.

    Confira o regulamento.

    Anexos

  • Neurologista Dr. Diego Dozza aborda tema importante: “Dor Crônica: há solução?”

    Neurologista Dr. Diego Dozza aborda tema importante: “Dor Crônica: há solução?”

    Muitas doenças causam dor crônica que pode ser incapacitante para algumas pessoas. E mesmo com o avanço das medicações do tratamento convencional não conseguem uma melhora satisfatória de seus sintomas. Uma das causas mais comuns de dor crônica intratável é o câncer. O paciente muita vezes necessita de doses elevadas de morfina para conseguir alívio dos sintomas. Apesar de haver novas medicações de uso oral para a dor, muitas vezes é necessária a utilização de procedimento invasivo para o tratamento.

    A utilização da infusão intratecal das medicações através de bombas de infusão implantáveis tem apresentado melhora significativa no controle das dores e com menos efeitos colaterais, pois utilizam doses menores das medicações. Este é um tratamento no qual um cateter é colocado dentro da coluna do paciente (mais precisamente no espaço subdural, onde há o famoso “líquido da espinha”) e é conectado sob a pele com a bomba infusora (tipo um “marcapasso”) que fica implantada no abdômen, abaixo da pele e sobre a musculatura. Então calcula-se a dose que será liberada continuamente ou em pulsos, atuando de forma mais precisa diretamente sobre o sistema nervoso.

    Um outro uso para a bomba de infusão é para a espasticidade/distonia que ocorre em casos como sequela de paralisia cerebral, AVC, trauma medular, esclerose múltipla. Nesses casos a medicação utilizada é o baclofeno intratecal no qual a dose é muito inferior a utilizada pela via oral e com potencial de ação e efetividade muito maior, permitindo controle da espasticidade com redução das dores causada por ela, cãibras, melhora da contratura para a realização da fisioterapia dentre outros.

    Outra forma de tratar a dor é com o neuroestimulador medular. Este ao invés de liberar uma substância química na coluna, libera estímulo elétrico que irá bloquear a sensação da dor. Da mesma maneira há um eletrodo que é implantado na coluna e um gerador que é implantado na região dorsal. Através de pulsos de estímulos elétricos a dor é inibida. Outra forma não invasiva de tratamento é a estimulação magnética transcraniana (TMS) no qual estímulo magnético é liberado sobre o cérebro através de uma bobina. Este procedimento é feito no consultório médicos sem a necessidade de anestesia.

    Então após a falha terapêutica com as medicações convencionais para o tratamento da dor não há mais aquela frase “você tem que se acostumar com a dor e conviver com ela”. Atualmente há um avanço enorme na tecnologia medicamentosa e no tratamento cirúrgico que podem auxiliar na qualidade de vida de quem convive com esse sofrimento. E tem que se lembrar de que o uso crônico e abuso de medicações também pode acarretar em complicações da saúde como, por exemplo, problemas do fígado e dos rins.

    E como já dizia Tim Hansel: a dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

    Locais de atendimento:
    Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 885, sala 1001, tel (54) 3622-2989/3622-2990
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    Centro Tel (55) 3742-4909
    Frederico Westphalen – Clínica Raimed, Rua Tenente Portela 435, tel (55) 3744-3100

  • Gerson Luís Batistella  destaca a necessidade de transparência na administração pública

    Gerson Luís Batistella destaca a necessidade de transparência na administração pública

    Gerson Luís Batistella

    Transparência na administração pública

    Gerson Luís Batistella

    No Rio Grande do Sul possuímos 497 municípios que, juntos, arrecadam e gastam em torno de 51,4 bilhões de reais por ano (dados extraídos a partir dos orçamentos municipais para 2021).

    Em média, 50% desse montante (25,7 bilhões) são aplicados, pelos municípios, no pagamento de folhas salariais e encargos previdenciários. Assim, cerca de 25,7 bilhões de reais restam para o custeio de despesas correntes (despesas operacionais) e para a realização de despesas de capital (investimentos/imobilizado).

    A arrecadação dos municípios decorre do pagamento de tributos por parte da população, compreendida entre pessoas físicas e jurídicas, logo, esses são os destinatários da ação da gestão pública visando à satisfação das necessidades prementes de suas comunidades.

    A aplicação desse montante exige de administradores públicos um eficiente planejamento da ação governamental, a estruturação dos trabalhos de forma racional para que se alcancem resultados efetivos. Quanto maior o volume de recursos aplicados no custeio de despesas administrativas especialmente (despesas meio) menor o volume de recursos aplicados nas atividades fins, em especial, as relacionadas com educação, saúde, segurança, infraestrutura e políticas públicas de forma geral, que são as aspirações dos cidadãos. Ou seja, o cidadão quer os serviços prestados em contrapartida ao pagamento de seus tributos.

    Considerando-se que os gestores públicos são eleitos para gerirem recursos que pertencem à sociedade, para essa sociedade deve ocorrer a necessária prestação de contas acerca da eficiente e efetiva aplicação dos recursos públicos. Nesse contexto, a transparência de informações se impõe como necessária para efetivar o princípio da publicidade da gestão pública.

    Diferentemente da iniciativa privada, quando a gestão de seus recursos financeiros diz respeito unicamente aos seus proprietários e/ou acionistas, os recursos públicos são objeto de obrigação de gestores municipais no tocante ao bem informar suas comunidades onde esses recursos foram aplicados.

    Para tanto, torna-se necessária a utilização dos portais de transparências dos municípios (sites), sem prejuízo da adoção de outras plataformas como redes sociais, dotando-os com informações de cunho numérico (receita arrecadada por tipo, despesa realizada por Secretaria Municipal, tipo de despesa, por credor, licitações e contratos, dentre outros), prática já aplicada pelas administrações municipais em cumprimento a normas constitucionais e legais vigentes mas inovando-se com a adoção de informações gerenciais.

    Entretanto, os portais de transparência de nossos municípios, especialmente, na grande maioria, são desprovidos dessas informações de natureza gerencial, que facilitaria o entendimento e a compreensão da maioria da população que, muitas vezes, não é afeta à compreensão de meros dados contábeis, mas que gostaria de entender onde e como esses recursos públicos foram aplicados. Exemplificativamente, informações como o número de crianças matriculadas nas escolas municipais, tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental; o número de crianças que utilizam o transporte escolar; o número de professores; dados relativos ao fornecimento de merenda escolar; o número de atendimentos médicos e odontológicos prestados pelos municípios mensalmente; quantidade de medicamentos distribuídos e população beneficiada; vacinas recebidas e aplicadas; munícipes transportados para outros municípios em busca de atendimentos e exames especializados; o número de metros quadrados de pavimentação asfáltica realizada; o número de horas-máquina prestadas aos agricultores; o volume de lixo recolhido mensalmente; o custo global de uma determinada obra, dentre tantas outras ações e atividades que são realizadas diariamente por parte dos gestores municipais e suas equipes de trabalho.

    A transparência de ações e atividades realizadas pelos municípios, a partir do recebimento de recursos públicos, se impõe como ferramenta determinante para a avaliação quanto à eficiência e à efetividade das gestões. É necessário transformar números e dados contábeis em informações capazes de atingir o objetivo de bem informar o cidadão. Enquanto o processo de transparência, na administração pública, se limitar ao cumprimento de normas legais de informação de dados relacionados à execução orçamentária e financeira e alguns outros dados mas se não inovarmos nos sentido de transformar tudo isso em informações capazes de mensurar o volume de trabalho prestado por nossos gestores e suas equipes de trabalho, o cidadão cada vez mais se afastará do processo de participação na comunidade, propiciará condições para que informações desencontradas se disseminem e não teremos plena condição de se avaliar qualitativamente as nossas gestões municipais.

    Reflexões visando à melhoria da gestão pública!

    Gerson Luís Batistella. Administrador, Professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Campus Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Gerson Luís Batistella: “A fragilidade do planejamento nos municípios”

    Gerson Luís Batistella: “A fragilidade do planejamento nos municípios”

    Um planejamento público adequado somente será realizado a partir de um profundo conhecimento da situação que envolve os nossos municípios. Observa-se que os planejamentos realizados se baseiam, primordialmente, nos planos de governo de gestores públicos, mas, na maioria das vezes, dissociados da efetiva realidade em que as sociedades vivenciam e sentem suas dificuldades e que deveriam ser objeto de resolução.

    Não raras vezes há um desconhecimento do que a sociedade precisa, seja em termos de infraestrutura urbana e rural, seja de abastecimento de água e energia elétrica, passando pelas questões afetas às áreas da saúde e da educação, para citar algumas.

    O diagnóstico profundo e preciso daquilo que precisa ser feito, a partir da identificação das necessidades apontadas pela sociedade, será o marco inicial para o início do processo do planejamento público e não o contrário. Embora os gestores tenham lá suas prioridades, essas devem ser cotejadas com aquilo que as pessoas querem e precisam e, obviamente, julgam serem prioritárias.

    Devemos considerar que os recursos públicos pertencem à sociedade e os prefeitos e prefeitas eleitos são gestores desses recursos públicos, devendo aplicá-los em consonância com as aspirações daquelas comunidades que os elegeram, procedendo à respectiva transparência para fins de prestação de contas.

    Uma rápida análise nos processos de planejamento vigentes em nossos municípios revela a ausência ou a fragilidade de banco de dados e indicadores que deveriam ser utilizados como base fundamental para a construção de soluções efetivas visando à melhoria das condições e a resolutividade da ação pública. Olhamos muito para conceitos de eficiência e cumprimento de índices constitucionais e legais e não valorizamos a efetividade da aplicação do recurso público.

    O mais importante, quando se avaliam gestões públicas, é o resultado decorrente da aplicação do recurso, como a diminuição das taxas de analfabetismo, da evasão escolar, do incremento de notas de avaliação na idade escolar, na diminuição de doenças, no implemento de ações preventivas na área da saúde, na redução do uso de medicamentos e internações hospitalares, no crescimento de moradias com acesso à água potável, saneamento e energia elétrica, no acesso a empregos e rendas, na disponibilização de políticas de fomento a atividades produtivas, na valorização e suporte a entidades sociais que prestam inestimáveis serviços e tantos outros exemplos nas mais variadas áreas de atuação intrínseca à administração pública.

    Assim, depreende-se que não há que se falar em planejamento público sem que se conheça, primeiro, a realidade local, que diverge muitas vezes, do município vizinho, dada às peculiaridades envolvidas. A partir desses diagnósticos, que devem ser publicizados pelas administrações públicas às respectivas sociedades, inicia-se o processo de construção do planejamento que contemple metas e ações visando à resolução, correção ou minimização das mazelas que afligem a nossa população. Para tanto, a participação da sociedade é pilar para isso.

    Portanto, a gestão pública é avaliada pelos seus resultados e não pelos conceitos de eficiência ou mero cumprimento de legislações ou a manutenção de equilíbrio financeiro, pois esses já são intrínsecos e de observância obrigatória por todos.

    Ademais, a implementação de ações a partir desse novo modelo de planejamento gerará plenas condições de efetividade da atuação da gestão pública, satisfazendo administradores e, principalmente, suas comunidades.

    Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • Gerson Luís Batistella: A fragilidade do planejamento nos municípios

    Gerson Luís Batistella: A fragilidade do planejamento nos municípios

    Gerson Luís Batistella

    Um planejamento público adequado somente será realizado a partir de um profundo conhecimento da situação que envolve os nossos municípios. Observa-se que os planejamentos realizados se baseiam, primordialmente, nos planos de governo de gestores públicos, mas, na maioria das vezes, dissociados da efetiva realidade em que as sociedades vivenciam e sentem suas dificuldades e que deveriam ser objeto de resolução.

    Não raras vezes há um desconhecimento do que a sociedade precisa, seja em termos de infraestrutura urbana e rural, seja de abastecimento de água e energia elétrica, passando pelas questões afetas às áreas da saúde e da educação, para citar algumas.

    O diagnóstico profundo e preciso daquilo que precisa ser feito, a partir da identificação das necessidades apontadas pela sociedade, será o marco inicial para o início do processo do planejamento público e não o contrário. Embora os gestores tenham lá suas prioridades, essas devem ser cotejadas com aquilo que as pessoas querem e precisam e, obviamente, julgam serem prioritárias.

    Devemos considerar que os recursos públicos pertencem à sociedade e os prefeitos e prefeitas eleitos são gestores desses recursos públicos, devendo aplicá-los em consonância com as aspirações daquelas comunidades que os elegeram, procedendo à respectiva transparência para fins de prestação de contas.

    Uma rápida análise nos processos de planejamento vigentes em nossos municípios revela a ausência ou a fragilidade de banco de dados e indicadores que deveriam ser utilizados como base fundamental para a construção de soluções efetivas visando à melhoria das condições e a resolutividade da ação pública. Olhamos muito para conceitos de eficiência e cumprimento de índices constitucionais e legais e não valorizamos a efetividade da aplicação do recurso público.

    O mais importante, quando se avaliam gestões públicas, é o resultado decorrente da aplicação do recurso, como a diminuição das taxas de analfabetismo, da evasão escolar, do incremento de notas de avaliação na idade escolar, na diminuição de doenças, no implemento de ações preventivas na área da saúde, na redução do uso de medicamentos e internações hospitalares, no crescimento de moradias com acesso à água potável, saneamento e energia elétrica, no acesso a empregos e rendas, na disponibilização de políticas de fomento a atividades produtivas, na valorização e suporte a entidades sociais que prestam inestimáveis serviços e tantos outros exemplos nas mais variadas áreas de atuação intrínseca à administração pública.

    Assim, depreende-se que não há que se falar em planejamento público sem que se conheça, primeiro, a realidade local, que diverge muitas vezes, do município vizinho, dada às peculiaridades envolvidas. A partir desses diagnósticos, que devem ser publicizados pelas administrações públicas às respectivas sociedades, inicia-se o processo de construção do planejamento que contemple metas e ações visando à resolução, correção ou minimização das mazelas que afligem a nossa população. Para tanto, a participação da sociedade é pilar para isso.

    Portanto, a gestão pública é avaliada pelos seus resultados e não pelos conceitos de eficiência ou mero cumprimento de legislações ou a manutenção de equilíbrio financeiro, pois esses já são intrínsecos e de observância obrigatória por todos.

    Ademais, a implementação de ações a partir desse novo modelo de planejamento gerará plenas condições de efetividade da atuação da gestão pública, satisfazendo administradores e, principalmente, suas comunidades.

    Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

  • O Envelhecimento do Cérebro

    O Envelhecimento do Cérebro

    Por: Dr Diego Dozza, Neorologista

    As pessoas estão vivendo mais e com a idade surgem questões frequentes sobre o que seria normal ou não no envelhecimento.  Dentre essas dúvidas ressalta-se o temor da perda de memória. É comum que a memória se reduza com a idade, pois sabe-se que existe uma perda neuronal ao longo da vida. Porém até que ponto os esquecimentos seriam considerados normais? Primeiro aspecto importante: a maior causa de dificuldade de memorização em pessoas jovens é o estresse, sobrecarga de atividades e transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade e déficit de atenção – que pioram com a chegada do final do ano. Esses fatores também podem ser a causa de esquecimentos em faixas etárias mais avançadas e até em crianças. Deve-se ressaltar que a capacidade de memorização está diretamente ligada a qualidade de sono, portanto pessoas com privação de sono ou insônia provavelmente terão problemas de memória. Em idosos, principalmente, a depressão pode levar a um quadro muito semelhante à doença de Alzheimer com episódios de desorientação e esquecimentos, por isso a importância de diagnosticar e tratar precocemente as causas ditas reversíveis de perda de memória. Entre outras causas “reversíveis” de esquecimento estão: doenças de tireóide, deficiência de vitaminas (principalmente vitamina B12), doenças infecciosas como sífilis, encefalites e alcoolismo (em alguns casos irreversível). Temos que diferenciar a demência do Esquecimento Benigno do Idoso que faz parte do envelhecimento natural onde há um declínio da memória, mas sem o comprometimento das atividades de vida diária. Aos 85 anos uma pessoa é capaz de evocar metade do número de itens que recordava aos 18 anos.

     Deve-se suspeitar de um quadro mais grave de perda de memória quando a pessoa apresentar esquecimentos progressivos ao longo de meses, dificuldade de realizar tarefas que antes fazia com destreza (por exemplo, uma costureira que começa a errar na costura, um cozinheiro que repetidamente troca os temperos, deixa a comida queimar), dificuldade de se expressar ou encontrar as palavras, alteração de comportamento (agressividade, desinibição, choro frequente). Esses sintomas devem atrapalhar a rotina e prejudicar a pessoa para serem considerados patológicos e principalmente devem ser progressivos. Nesses casos a pessoa pode estar apresentando um quadro de demência, sendo a mais comum a doença de Alzheimer e a demência vascular. Ambas acometem na sua maioria pessoas com mais de 60 anos de idade, sendo raríssima sua incidência em idades mais precoces. Na doença de Alzheimer a pessoa apresenta perda de memória progressiva, associada a alterações de julgamento, capacidade de executar atos da vida diária e linguagem. Existe tratamento para esta doença porém não existe cura, portanto o diagnóstico precoce é importante, pois possibilita que o paciente fique em uma fase leve da doença por tempo prolongado. A demência vascular é associada a doença vascular cerebral na forma de AVCs de repetição (muitas vezes silenciosos) que lesam as áreas de memória e acontecem principalmente em pessoas com fatores de risco para doença vascular como hipertensos e diabéticos não controlados, passado de AVC e tabagistas de longa data.

    Algumas causas de demência são a Doença de Alzheimer (DA, mais de 50% dos casos), demência vascular (DV), demência associada à Doença de Parkinson, alcoolismo, demência de Corpos de Lewy (DCL), demência Frontotemporal (DFT), deficiência de vitaminas, endocrinopatias ou insuficiência orgânica, neurosífilis, lesão cerebral difusa, hidrocefalia, tumores encefálicos, intoxicação por drogas/medicamentos, depressão, esquizofrenia, infecções. Fiz questão de citar várias causas para chamar a atenção da importância da investigação diagnóstica correta e porque há algumas doenças tratáveis e com cura.

    A maior prevenção de perda de memória consiste em estimular o seu cérebro. Atividades como leitura, jogos de memorização, esportes, alimentação saudável, postura positiva diante das tribulações da vida, boa qualidade de sono, não fumar e não beber. Estas orientações contribuirão para preservar sua memória e para um envelhecimento saudável.

    Existem alguns exames como a ressonância magnética de crânio, tomografia por emissão de pósitron (PET CT) e exames genéticos, além da testagem neuropsicológica que nos auxiliam na detecção desses distúrbios neurológicos. Com software mais potente as imagens chegam até parecer obras de arte como vemos na tractografia! Assim, com exames de imagem cada vez mais modernos, busca-se cada vez mais precocemente o diagnóstico.

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