• 4 de março de 2024

Neurologista Dr. Diego Dozza aborda tema importante: “Dor Crônica: há solução?”

 Neurologista Dr. Diego Dozza aborda tema importante: “Dor Crônica: há solução?”

Muitas doenças causam dor crônica que pode ser incapacitante para algumas pessoas. E mesmo com o avanço das medicações do tratamento convencional não conseguem uma melhora satisfatória de seus sintomas. Uma das causas mais comuns de dor crônica intratável é o câncer. O paciente muita vezes necessita de doses elevadas de morfina para conseguir alívio dos sintomas. Apesar de haver novas medicações de uso oral para a dor, muitas vezes é necessária a utilização de procedimento invasivo para o tratamento.

A utilização da infusão intratecal das medicações através de bombas de infusão implantáveis tem apresentado melhora significativa no controle das dores e com menos efeitos colaterais, pois utilizam doses menores das medicações. Este é um tratamento no qual um cateter é colocado dentro da coluna do paciente (mais precisamente no espaço subdural, onde há o famoso “líquido da espinha”) e é conectado sob a pele com a bomba infusora (tipo um “marcapasso”) que fica implantada no abdômen, abaixo da pele e sobre a musculatura. Então calcula-se a dose que será liberada continuamente ou em pulsos, atuando de forma mais precisa diretamente sobre o sistema nervoso.

Um outro uso para a bomba de infusão é para a espasticidade/distonia que ocorre em casos como sequela de paralisia cerebral, AVC, trauma medular, esclerose múltipla. Nesses casos a medicação utilizada é o baclofeno intratecal no qual a dose é muito inferior a utilizada pela via oral e com potencial de ação e efetividade muito maior, permitindo controle da espasticidade com redução das dores causada por ela, cãibras, melhora da contratura para a realização da fisioterapia dentre outros.

Outra forma de tratar a dor é com o neuroestimulador medular. Este ao invés de liberar uma substância química na coluna, libera estímulo elétrico que irá bloquear a sensação da dor. Da mesma maneira há um eletrodo que é implantado na coluna e um gerador que é implantado na região dorsal. Através de pulsos de estímulos elétricos a dor é inibida. Outra forma não invasiva de tratamento é a estimulação magnética transcraniana (TMS) no qual estímulo magnético é liberado sobre o cérebro através de uma bobina. Este procedimento é feito no consultório médicos sem a necessidade de anestesia.

Então após a falha terapêutica com as medicações convencionais para o tratamento da dor não há mais aquela frase “você tem que se acostumar com a dor e conviver com ela”. Atualmente há um avanço enorme na tecnologia medicamentosa e no tratamento cirúrgico que podem auxiliar na qualidade de vida de quem convive com esse sofrimento. E tem que se lembrar de que o uso crônico e abuso de medicações também pode acarretar em complicações da saúde como, por exemplo, problemas do fígado e dos rins.

E como já dizia Tim Hansel: a dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

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