Os cortes do programa Assistir, do Governo do Estado, já retiraram R$ 14 milhões de recursos que vinham sendo aplicados nos hospitais de Canoas. A instituição de saúde mais prejudicada é o Hospital Universitário, referência para mais de 130 municípios do Estado. Para evitar a continuidade dessa redução e rediscutir os critérios do programa, a Prefeitura de Canoas busca o apoio de deputados estaduais e de lideranças do município.
Nesta quinta-feira (19), uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Canoas reuniu entidades e lideranças da saúde municipal. O objetivo foi abordar as dificuldades provocadas pelos cortes de recursos do Assistir, principalmente para o HU. O tema já havia sido debatido na Assembleia Legislativa na quarta-feira (18). Na ocasião, o prefeito Jairo Jorge, o secretário de Saúde, Felipe Martini, o secretário de Relações Institucionais, Mário Cardoso, o diretor do Hospital Universitário, Mauro Sparta, e vereadores apresentaram a situação a um grupo de deputados, a fim de pedir o apoio na interlocução junto ao Governo do Estado.
Para o secretário de Saúde de Canoas, as dificuldades podem crescer ainda mais se os cortes continuarem. “Avançamos muito na saúde, fomos reconhecidos como o melhor município do Estado em atendimentos da atenção básica, organizamos a telemedicina e vamos implementar em 2024 o agendamento de consultas via WhatsApp. Estas são algumas das soluções que estamos traçando, mas muito mais precisa ser feito e isso passa pelo fortalecimento dos nossos hospitais. Portanto, cortar recursos prejudica toda a construção que vínhamos fazendo. O SUS é um sistema de saúde muito eficiente, mas precisa de equidade de recursos para funcionar plenamente, e os cortes do Assistir, aliados à defasagem da tabela do SUS, nos impedem de atuar como gostaríamos. Se os cortes do Estado seguirem, nosso sistema irá colapsar”, enfatizou Martini.
Atualmente, o ponto de corte do Assistir é a produtividade das instituições de saúde. Segundo a secretária de Gestão Hospitalar de Canoas, Juceila Dalla’Agnol, o município defende a tese de que é preciso considerar o tamanho das instituições, o número de atendimentos, os serviços disponibilizados e a abrangência. “A continuidade desses cortes levará ao fechamento de serviços e isso vai refletir em centenas de outras cidades. Este momento é importante, pois é preciso sensibilizar o Estado sobre a dimensão do nosso trabalho e responsabilidade”, ponderou.
O corte do Assistir atualmente é de R$ 1,2 milhão ao mês, podendo passar para R$ 2,4 milhões em janeiro de 2024 e R$ 3,5 milhões em outubro de 2024. A continuidade dessa redução irá desestruturar ainda mais o HU e o Hospital de Pronto Socorro de Canoas no próximo ano.
Na presença do governador Eduardo Leite e especialistas na área do ensino, serão apresentadas linhas gerais do Marco Legal da Educação
Após percorrer as oito Regiões Funcionais do interior do Rio Grande do Sul, o Movimento pela Educação encerra sua série de debates sobre a qualidade do ensino gaúcho com evento em Porto Alegre, na próxima quarta-feira, dia 18, às 9h, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa. A temática Educação para o Desenvolvimento foi escolhida pelo presidente do Parlamento, deputado Vilmar Zanchin, para nortear os trabalhos do legislativo gaúcho durante o ano de 2023.
Após levantamento obtido nos encontros anteriores e com o apoio de consultores renomados nacionalmente como a professora Claudia Costin, o ex-ministro Rossieli Soares, entre outros, foi formulado o Marco Legal da Educação, que pretende construir uma política pública perene e de Estado para a área, com diretrizes, metas e indicadores a serem perseguidos pelos próximos anos. As linhas gerais deste documento serão apresentadas por Zanchin durante o evento na Capital.
“Observamos experiências que deram certo em diferentes locais do Brasil para que sejam adaptadas e reproduzidas no Rio Grande do Sul. Entre os eixos prioritários desse trabalho estão a alfabetização no tempo certo, o ensino médio em tempo integral com introdução à profissionalização, o fortalecimento da carreira docente e a expansão do uso da tecnologia em sala de aula”, enfatiza o presidente do Parlamento gaúcho.
Além da apresentação do Marco Legal da Educação, a programação do encontro em Porto Alegre contará com dois painéis. Para debater “A jornada de transformação da educação pública no RS e no Brasil”, participam a professora Claudia Costin, a superintendente de Políticas Educacionais para o Brasil do Instituto Natura, Maria Slemenson, a CEO da Plataforma de Leitura Elefante Letrado, Mônica Timm de Carvalho, e a secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira. Na sequência, o presidente da Assembleia, Vilmar Zanchin; o governador Eduardo Leite; o coordenador do Movimento Profissão Docente, Haroldo Rocha; e o secretário de Educação do Pará, Rossieli Soares, tratam sobre “Os desafios para a implementação do Marco Legal da Educação Gaúcha”. A mediação dos painéis será feita pelo jornalista Tulio Milman.
O atendimento à imprensa será ao término do evento, às 12h, no hall da Galeria dos Deputados Eméritos, no 1º andar da Assembleia Legislativa.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
– 9h | Abertura
– 9h30min | 1º Painel – A jornada de transformação da educação pública no RS e no Brasil Mediação: Tulio Milman. Painelistas: Claudia Costin – Fundadora e Diretora do FGV CEIPE e professora visitante na Faculdade de Educação de Harvard. Maria Slemenson – Superintendente de Políticas Educacionais para o Brasil do Instituto Natura. Mônica Timm de Carvalho – CEO da Plataforma de Leitura Elefante Letrado e integrante do Pacto Pela Educação RS. Raquel Teixeira – Secretária de Educação do Rio Grande do Sul, foi deputada federal e secretária de Educação de Goiás.
– 10h20min | Apresentação do Marco Legal da Educação Gaúcha, pelo presidente Vilmar Zanchin.
– 10h30min | 2º painel – Os desafios para a implementação do Marco Legal da Educação Gaúcha. Mediação: Tulio Milman Painelistas: Haroldo Rocha – Ex-secretário de Educação do Espírito Santo e coordenador do Movimento Profissão Docente. Eduardo Leite – Governador do Estado. Rossieli Soares – Secretário de Educação do Pará, ex-ministro da Educação e ex-secretário de Educação dos estados de São Paulo e Amazonas. Vilmar Zanchin – Presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
O próximo Feirão de Emprego ocorrerá na terça-feira (17), das 9h às 16h, na sede da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação (SMDETI), localizada na Rua Dr. Barcelos, 969, no Centro. No evento, a rede Unisuper vai disponibilizar vagas na área de varejo, em funções de atendente comercial, operador de caixa, repositor, limpeza, cozinheira, auxiliar de perecíveis, hortifruti, padaria e açougueiro, entre outros.
Para participar basta se dirigir ao local portando documento com foto e currículo. É desejável levar mais de um currículo impresso. Os atendimentos ocorrerão por ordem de chegada.
Banco de Oportunidades
A Prefeitura de Canoas disponibiliza diariamente cerca de 800 vagas através da plataforma digital Banco de Oportunidades no site da Prefeitura clique aqui. São mais de 1,2 mil empresas da região cadastradas, que fazem a seleção de currículos.
Nesta semana, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) chegou a marca de 10 mil transplantes realizados desde sua inauguração, que remonta à década de 70. Essa conquista não é apenas um número, mas representa 10 mil vidas impactadas e 10 mil famílias que receberam uma nova oportunidade.
Além disso, durante este tempo, o hospital capacitou e formou diversos profissionais da área da saúde, para atuarem na captação de órgãos e na realização de transplantes, os quais desenvolvem suas atividades em diversas instituições no país e no exterior.
A coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do SUS, Daniela Salomão, expressou seus parabéns ao Hospital de Clínicas e suas equipes pelo marco dos 10 mil transplantes. Ela enfatizou: “são inúmeros profissionais que aqui trabalharam para dar o melhor de assistência para os pacientes que tinham como única opção o transplante. Uma honra para o Ministério da Saúde fazer parte deste momento”.
O HCPA realiza diversos tipos de procedimentos, incluindo transplantes de coração, fígado adulto e infantil, pulmão, rim, córnea e medula óssea. Em 2023, até o dia cinco de outubro, o Clínicas já realizou 342 transplantes.
O trabalho das equipes é tanto desafiador quanto gratificante. O chefe do Serviço de Transplantes do Clínicas, Roberto Manfro, compartilhou suas percepções: “10 mil transplantes representam muito esforço, dedicação e empenho. No entanto, mais do que isso, significam alegria, por ter sido parte da vida dessas pessoas e de suas famílias, propiciando a elas uma vida mais plena e duradoura”.
Os transplantes não apenas melhoram a qualidade de vida dos receptores, mas também podem fazer a diferença entre a vida e a morte para muitos deles. Por isso, é sempre importante lembrar que a doação de órgãos depende, além de hospitais e equipes médicas bem qualificadas, da conscientização e da decisão das famílias em momentos difíceis. É fundamental que as pessoas conversem com suas famílias sobre o desejo de serem doadoras de órgãos para que mais doações se concretizem e mais vidas possam ser salvas.
A diretora-presidente do HCPA, Nadine Clausell, salienta: “essa realização do HCPA é um testemunho do compromisso contínuo em salvar vidas e melhorar a saúde de nossos pacientes. Agradecemos e parabenizamos toda a comunidade do nosso hospital. Desejamos que essa conquista inspire mais pessoas a se tornarem doadoras e a apoiarem essa causa nobre”.
Os dados consolidados do Clínicas em 2011 a 2022 mostram que foram realizados 5.027 transplantes no período: 97 de coração, 305 de fígado adulto, 151 de fígado infantil, 67 de pulmão, 1.406 de rim, 2.007 de córnea e 994 de medula óssea.
Foto Nadine Clausell e Daniela Salomão (Clóvis Prates/HCPA)
– Como passamos pelo setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio, volto a falar sobre depressão e o risco de suicídio que infelizmente ainda são um tabu para muitas pessoas. A depressão apresenta um diagnóstico amplo e heterogêneo. Os sintomas devem estar presentes por pelo menos duas semanas e devem ser severos na maior parte dos dias. A gravidade da doença varia com a quantidade e severidade de sintomas e o grau de perda funcional. Apresenta geralmente um curso de remissão e nova piora dos sintomas.
Os sintomas emocionais podem ser: tristeza, ansiedade, irritabilidade, perda do prazer nas coisas, ideação suicida, falta de esperança, culpa exagerada. Os sintomas físicos podem ser: cansaço, ganho ou perda de peso, insônia ou hipersonia, disfunção sexual, dor de cabeça, dor de estômago, dor generalizada, agitação psicomotora. Os sintomas cognitivos são: desatenção, perda de memória, lentificação do pensamento e do julgamento, falta de planejamento e organização. Isso acaba afetando o relacionamento social, no trabalho e na família, criando um aspecto negativo na vida da pessoa. O tratamento da depressão possui três fases: o tratamento agudo em que se espera a resposta à medicação, a remissão e a manutenção. A resposta ideal é ter o controle completo dos sintomas e que não haja mais síndrome depressiva no futuro.
A retirada da medicação em qualquer uma das fases sem ter completado corretamente o tratamento leva ao risco da piora dos sintomas novamente. Após a fase inicial do episódio depressivo, 50% permanecerão sem sintomas e não terão novo episódio, 35% terão depressão recorrente e 15% permanecerão com a depressão sem ter controle completo dos sintomas. Pessoas que sofrem de depressão têm um risco aumentado de pensamentos suicidas e comportamento suicida em comparação com a população em geral. O risco de suicídio está relacionado à gravidade da depressão, histórico de tentativas anteriores de suicídio, presença de outros transtornos mentais, falta de apoio social, acesso a meios letais e outros fatores. Porém, não se pode afirmar com certeza a porcentagem correta de suicídio na depressão, pois sua relação é complexa e influenciada por vários fatores.
Se você ou algum familiar está passando por isso é importante que procure um médico ou profissional da área da saúde em que confie para receber o apoio necessário. De preferência o tratamento deve envolver o psiquiatra e o psicólogo. O tratamento envolve o uso de antidepressivos com associação à psicoterapia. Existe um tratamento adjuvante chamado de estimulação magnética transcraniana (TMS), em que é aplicado um estímulo magnético sobre o córtex cerebral que gera um potencial de ação neuronal e auxilia no controle da depressão.
São realizadas várias sessões até se obter o controle adequado dos sintomas, sendo sempre acompanhado por psiquiatra e, se possível, psicólogo. Fique atento para o surgimento de sintomas e procure logo um médico para realizar o tratamento precoce! Locais de atendimento:Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 1117, sala 501, tel (54) 3622-2989/3622-2990Palmeira das Missões – Rua Rio Branco, 989, Sala 301, Edifício Athenas, Centro – Tel (55) 3742-4909Frederico Westphalen – Clínica Raimed, Rua Tenente Portela 435, tel (55) 3744-3100
“As crianças imitam o que veem. Se os adultos atravessam a rua de forma imprudente, aprendem a fazê-lo também. Criança imita o comportamento sem preocupações com certo ou errado”. Essa e outras dicas para a prevenção de acidentes foram entregues pela equipe da Diretoria de Trânsito, da Secretaria Municipal de Transportes e Mobilidade, em frente a Escola Municipal de Ensino Fundamental David Canabarro, no Bairro Mathias Velho. A Blitz Educativa faz parte das ações do Maio Amarelo e deve acontecer nas próximas semanas junto às outras escolas.
Conforme o diretor de Trânsito, Gilson Azevedo, a conscientização do Maio Amarelo é fundamental. “A gente observa muita imprudência dos condutores e pedestres. Excesso de velocidade, desrespeito à sinalização e alcoolemia fazem parte dos problemas que ocasionam acidentes no trânsito”, salienta o diretor.
Esse trabalho de conscientização do Maio Amarelo conta também com a parceria do projeto Ronda Escolar, desenvolvido pela Guarda Municipal de Canoas. “Com o retorno das aulas presenciais, intensificamos as operações da Ronda Escolar e identificamos quais escolas apresentam maior problema de educação no trânsito em seu entorno”, explica o Guarda Municipal, Mauro Proença. Na próxima segunda-feira, dia 9, a Blitz Educativa do Trânsito, em conjunto com a Ronda Escolar, acontece em frente da EMEF Sete de Setembro, no Bairro Olaria.
Para a dona de casa Mara Brito, 63 anos, é muito importante a Prefeitura realizar ações de conscientização na frente das escolas. “Na hora da saída do colégio é brabo. Se a gente não cuidar eles atropelam mesmo. Venho buscar a minha neta aqui na David Canabarro e tenho que ter sempre muita atenção”, comenta a moradora da Santo Operário.
Com o slogan nacional Juntos Salvamos Vidas, a Prefeitura de Canoas realizou o lançamento do Maio Amarelo durante o Seminário Trânsito Seguro, no último dia 29 de abril, na UniRitter. Uma série de atividades estão programadas ao longo deste mês, como blitz de conscientização dos motoristas, exposição de um carro batido para chamar a atenção da comunidade e pintura de laços amarelos em locais de acidentes, entre outras iniciativas.
No Brasil, 11 milhões de pessoas são analfabetas. São pessoas de 15 anos ou mais que, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não são capazes de ler e escrever nem ao menos um bilhete simples.
Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), Lei 13.005/2014, que estabelece o que deve ser feito para melhorar a educação no país até 2024, desde o ensino infantil até a pós-graduação, o Brasil deve zerar a taxa de analfabetismo até 2024.
No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado hoje (8), a Agência Brasil conversou com professores que trabalham com a alfabetização de crianças sobre os impactos da pandemia na etapa de ensino e sobre a rotina desses profissionais.
Sem tempo para cansaço
O professor do terceiro ano do ensino fundamental da Escola Classe Comunidade de Aprendizagem do Paranoá, no Distrito Federal, Mateus Fernandes de Oliveira diz que ainda não conseguiu parar para sentir o cansaço que todo o período de pandemia causou até aqui. Nos últimos 18 meses, ele precisou lidar com diversas situações, incluindo famílias de estudantes com fome. Foi preciso que a escola se organizasse para distribuir cestas básicas nas casas dos alunos.
“A gente estava falando de falta de alimentos em casa. Famílias passando por necessidades. Não era possível cobrar de uma família que estava preocupada com alimentação que desenvolvesse um processo de escolarização em um momento como este. A gente entendeu que a escola pública, como parte do Estado, tem responsabilidade social. O Estado deveria cuidar das necessidades básicas, mas não estava dando conta. A escola teve que se mobilizar”.
Enquanto a escola esteve fechada, o professor chegou até mesmo a visitar os estudantes pessoalmente, levar para eles as atividades e verificar como estavam. A maior parte dos alunos não tinha acesso à internet e acabava não participando das aulas online. Agora a escola voltou em um modelo híbrido, intercalando ensino presencial e ensino remoto.
Oliveira percebe que as desigualdades se acentuaram. Aqueles alunos que vêm de um contexto familiar em que a leitura faz parte do cotidiano, em que há livros e revistas em casa, chegam agora ao terceiro ano do fundamental sabendo ler e escrever. Aqueles que moram em casas com pouca ou nenhuma leitura, às vezes sem mães e pais alfabetizados, acabam tendo um conhecimento aquém do esperado para crianças com 8 ou 9 anos de idade.
“Não dá para considerar este ano como só este ano. É pensar este ano e o seguinte como duas coisas contínuas, porque senão a gente se exaspera e atropela os processos. Atropela o tempo de entender o que a gente sentiu e o que está sentindo e de perceber que caminhos pode trilhar. A gente pode acabar até gerando o contrário do que gostaria. Em princípio, é preciso ter calma e, ao mesmo tempo, saber que não temos tempo a perder”.
Trabalho redobrado
Em Corumbá (MS), foi com cachorrinhas que a professora da Escola Municipal Almirante Tamandaré, Sonia Bays, conquistou os alunos e conseguiu medir o que eles haviam aprendido em um ano de pandemia. Ela dá aula para o primeiro ano do ensino fundamental, estudantes de 6 anos, que estão começando a ser alfabetizados. “Queria fazer algo mais lúdico. Acredito que as crianças são penalizadas por estar longe da escola. Criança em fase de alfabetização precisa da escola”, diz.
Diante das dificuldades de ensinar a distância e por meio de tecnologias, ela gravou um vídeo apresentando os próprios animais de estimação e pediu que os pais estimulassem os filhos a fazer o mesmo com seus bichinhos. “Na fase da alfabetização, a criança precisa de oralidade. Ela fala e depois transfere para o papel. É preciso estimular essa espontaneidade, essa fala das crianças”.
Ao pequeno grupo que estava sendo atendido presencialmente em horários especiais na escola, ela pediu que desenhasse e, se soubesse, escrevesse os nomes dos animais. Foi assim que avaliou o que os alunos sabiam e aquilo em que tinham dificuldades. Com base nas atividades desenvolvidas com as crianças, surgiu o trabalho Alfabetização e Infância em Tempos de Pandemia, apresentado em agosto no 5º Congresso Brasileiro de Alfabetização.
A maior parte dos alunos de Sonia está em situação de vulnerabilidade. Não é raro que as famílias tenham apenas um celular com acesso limitado à internet. A estratégia muitas vezes, durante mais de um ano de pandemia, era mandar vídeos por whatsApp, para que os responsáveis baixassem usando a internet do trabalho e, depois, mostrassem para as crianças.
No ano passado, ela chegou a conhecer os alunos pessoalmente, antes do fechamento das escolas por causa da pandemia. A turma desse ano, no entanto, era uma lista com 23 nomes e contatos. Sonia fez questão de entrar em contato com cada um por ligação e conversar com alunos e famílias. A logística não foi simples, alguns estudantes precisaram ir para uma área com wifi aberto, para receber a videochamada.
A escola foi retomando aos poucos o ensino presencial. Primeiro, apenas uma vez por semana para atender aos alunos que não tinham acesso a aulas remotas. Agora, a escola voltou às aulas presenciais em esquema de revezamento, com turmas reduzidas.
“Os professores, cada um de uma série, selecionaram os conteúdos que seriam prioritários, que seriam essenciais. Não vamos ter como dar conta de tudo. Estamos focando em leitura e escrita”, diz e acrescenta: “Os alunos não perderam o ano, eles ganharam a vida. Se antes já tínhamos déficit de aprendizagem, agora também temos, ainda maior. Teremos que redobrar o trabalho para vencer isso”.
Da sala para a tela
Depois de oito anos nas salas de aula no Rio de Janeiro, o professor Ricardo Fernandes assumiu, em 2019, o cargo de assistente de Gerência de Alfabetização e Anos Iniciais da Secretaria Municipal de Educação. No ano passado, com a pandemia, Fernandes passou a gravar aulas e podcasts para os estudantes da rede municipal, por meio da prefeitura, para garantir a educação remota. Ele, de repente, passou a alcançar um público muito maior.
“Acaba que você, que está produzindo uma vídeoaula, você não vira só o professor de uma turma. A sensação que dá é que você vira professor de muitas turmas. Essa foi uma estratégia muito importante para muitas crianças que estavam em casa”, diz.
Foi preciso, segundo Fernandes, recriar, com tecnologia, espaços alfabetizadores. Além de o formato ser um desafio, foi preciso também repensar o conteúdo de alfabetização, incluindo as famílias. “Todas as vezes que a gente pensa um material agora, a gente pensa que essa família vai assistir junto, vai ajudar na mediação desse conteúdo. Então as aulas agora são pensadas na perspectiva mais coletiva. Quem está escutando o que essa criança fala? Quais as perguntas que essa criança pode fazer para essa pessoa? É esse processo de uma educação coletiva que traz para a alfabetização um novo caráter”.
O professor conta que, durante a pandemia, as trocas entre os professores da rede de ensino ajudaram a desenvolver novas estratégias para chegar aos alunos e também ajudaram os próprios profissionais a não se sentirem isolados. Fernandes ressalta, no entanto, que mesmo com o esforço, há estudantes que precisarão de mais atenção. “A gente sabe que existe um público que historicamente está alijado do contexto de alfabetização e de educação, e esse contexto foi intensificado com a pandemia”.
Estudo encomendado ao Datafolha pela Fundação Lemann, o Itaú Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado em junho deste ano, mostra que mais da metade (51%) das crianças em processo de alfabetização na rede pública brasileira ficaram no mesmo estágio de aprendizado, ou seja, não aprenderam nada de novo durante a pandemia. Entre os estudantes brancos, 57% teriam aprendido coisas novas, segundo a percepção dos responsáveis. Entre os estudantes negros, esse índice cai para 41%.
Como responsável pela produção de materiais para a alfabetização, Fernandes diz que um dos objetivos é que os estudantes se sintam representados. “Não se pode alfabetizar sem olhar para a favela, sem olhar para o bairro desse aluno, sem olhar para o ritmo desse aluno, sem entender que é um sujeito que aprende quando está em casa, quando está em contato com outros sujeitos. Não se pode negar os aspectos culturais da cidade”, defende.
Unindo forças
Para a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) no Paraná, Marcia Baldini, é necessária a união de forças de gestores, Poder Público, professores e familiares para garantir o ensino e a aprendizagem das crianças brasileiras. Marcia, que coordena o Grupo de Trabalho sobre Alfabetização da Undime, diz que a pandemia causou um prejuízo muito grande à alfabetização.
“É necessário ter políticas públicas nesse sentido, voltar o olhar para isso, porque se não tivermos nas nossas escolas um olhar focado em relação ao professor alfabetizador, a formação continuada, condições de trabalho, a conscientização das famílias para que esse aluno possa aprender, os prejuízos serão imensuráveis nos anos seguintes na educação fundamental, no ensino médio e até mesmo na educação superior, em que vamos formar os famosos analfabetos funcionais”.
Marcia explica que a alfabetização exige a mediação do professor. Isso porque gestos, movimentos labiais e materiais didáticos têm impacto na aprendizagem. Esses elementos acabam se perdendo no ensino remoto. “Os alunos que estão retornando [para o ensino presencial] apresentam muitas dificuldades, há alunos que esqueceram até mesmo como se escreve o nome”. Os dados mostram muito claramente, nos primeiros anos da educação infantil e do ensino fundamental, prejuízos sociais, econômicos, educacionais, que vão se estender ao longo da vida.
Retomada
Neste semestre, as escolas estão, aos poucos, com o avanço da vacinação no país, retomando as aulas presenciais, ainda que mescladas ao ensino remoto, no chamado ensino híbrido. Será preciso ainda, segundo a oficial de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Julia Ribeiro, localizar os estudantes que não conseguiram assistir às aulas na pandemia.
“Fazer busca ativa desses meninos e meninas que não tiveram condição de se manter aprendendo durante a pandemia. Os dados apontam isso, a pandemia atingiu meninos e meninas que já eram mais vulneráveis. Quem já estava fora da escola ficou cada vez mais longe, e quem estava na escola, mas sem condições de aprender em casa, acabou sendo excluído desse direito”.
Pesquisa divulgada este ano pelo Unicef mostra que o número de crianças e adolescentes sem acesso à educação no Brasil saltou de 1,1 milhão em 2019 para 5,1 milhões em 2020. Desses, 41% têm entre 6 e 10 anos, faixa etária em que ocorre a alfabetização.
“A alfabetização é fundamental para a manutenção desse menino ou menina na escola. É nessa faixa etária que é criado maior vínculo, inclusive com a escola. Ciclos de alfabetização que são incompletos podem acarretar reprovações e abandonos escolares nas demais etapas, nas etapas subsequentes”, ressalta.
Para Júlia, sobretudo na pandemia, quando as crianças tiveram aprendizagens diferentes, todas as etapas escolares devem se comprometer a garantir o aprendizado dos estudantes, garantir que aprendam a ler e escrever.
“A gente precisa de uma corresponsabilização de todo o sistema educacional no sentido de garantir que cada criança e adolescente, independentemente de idade, tenha as oportunidades necessárias que lhe garantam alfabetização completa, que lhe possibilite que esses meninos e meninas tenham maior liberdade, maior autonomia, que estejam incluídos na sociedade, que tenham mais acesso a oportunidades profissionais e pessoais, que tenham acesso a seus direitos”.
Ministério da Educação
No dia 30 de junho deste ano, o MEC lançou o Sistema Online de Recursos para a Alfabetização, apelidado de Sora. A plataforma foi desenvolvida para apoiar professores e trabalhadores da educação no planejamento e execução de atividades de ensino para alunos que estão aprendendo a ler e escrever.
O sistema traz estratégias de ensino ou como o conteúdo pode ser ensinado. Elenca também propostas de atividades a serem aplicadas em salas de aula, ferramentas que são utilizadas na consolidação da apreensão dos conteúdos.
A plataforma disponibiliza recursos adicionais diversos que auxiliam os professores. Podem ser acessadas, por exemplo, imagens que ajudam a fixar as letras do alfabeto. Será incluído também um módulo com sugestões de avaliações para verificar a aprendizagem do conteúdo.
Em mais uma iniciativa inovadora da Secretaria de Segurança Pública de Canoas, foi firmada uma parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), campus Sapucaia do Sul, para desenvolver um sistema de alerta sonoro, que identifica e localiza acidentes de trânsito, disparos de arma de fogo, explosão e arrombamento de carro e de casa. Após detectar o sinistro, o sistema vai notificar automaticamente os órgãos de segurança pública, como a Guarda Municipal.
A primeira reunião aconteceu em fevereiro e, nesta sexta-feira (20), o secretário da Segurança Pública, delegado Emerson Wendt, realizou uma reunião com os representantes do IFSul para analisar os equipamentos necessários para desenvolver o sistema.
De acordo com o professor do IFSul, Roberto Mauricio Bokowski Sobrinho, o modelo é similar ao Sistema de Detecção de Disparos de Arma de Fogo (SDD), desenvolvido pela empresa norte-americana Shot Spotter, que foi implementado em Canoas em 2010, no bairro Guajuviras. “Canoas já tem a experiência em trabalhar com um sistema de sinistros sonoros, possui alguns equipamentos disponíveis e tem pessoal da Guarda Municipal treinado e qualificado para operar o sistema”, explica o professor.
Para o secretário delegado Emerson, a parceria reforça o objetivo da Secretaria que é trabalhar com tecnologia, inteligência e prevenção. “A função do sistema é dar mais agilidade ao trabalho dos outros órgãos da administração pública, principalmente das forças de segurança. Mas também é uma forma de prevenir a violência, já que inibe a criminalidade, e aumenta a sensação de segurança dos canoenses”, afirma o secretário.
Com o tema “O Futuro é você quem faz”, a Semana da Juventude teve início nesta segunda-feira (9). Promovida pela Coordenadoria da Juventude, o primeiro dia de programação contou com atrações artísticas, cadastro de currículos no Banco de Oportunidades, orientações para o mercado de trabalho e distribuição de máscaras descartáveis ao longo de todo o dia no Calçadão, no Centro de Canoas.
Um dos integrantes do grupo de dança Hip Rockers, projeto social do bairro Mathias Velho, Gustavo Viegas Melo, de 19 anos, lembra da satisfação que é poder levar a arte para espaços onde possa fomentar o interesse dos jovens. “A semana da Juventude traz a visibilidade para a nossa cidade, principalmente para nós que somos da arte, já que é um grande polo de cultura. Nem todos os jovens têm acesso a estúdios de dança e podem ficar sabendo de projetos sociais como o nosso. Danço desde os meus 11 anos e a dança me salvou de muitas situações complicadas dentro de casa. A arte traz vida, e poder representar pelas ruas de Canoas é magnifico”, comemorou.
Passando pelo calçadão, a jovem Raislana Prokop Chiavenato aproveitou para se inscrever no Banco de Oportunidades. “É uma oportunidade muito boa para os jovens, porque hoje em dia está bem difícil o mercado de trabalho. Eu passei por aqui e já consegui me inscrever. Eu acho uma boa iniciativa valorizarmos os jovens, nesse momento tão difícil de transição pós-pandemia.”
Fizeram parte da programação nesta segunda-feira(9), o grupo de dança Hip Rockers, o Duo de dança Rafaelle Livinalli e Carini Pereira, além do Grupo de teatro Nação Jovem com a peça “Direito de Escolha”.
Na terça-feira (10), a programação segue com um papo reto no auditório Sady Schiwitz, na Prefeitura Municipal. Serão duas palestras com as escolas municipais convidadas. Pela manhã, a partir das 9h a psicóloga Deise Aquino falará sobre “Depressão de jovens em tempos de pandemia”. Na parte da tarde, a partir das 14h, a convidada para conversar com os jovens é a Delegada Tatiana Bastos que falará sobre “Combate e prevenção à violência contra a juventude”.
A programação completa até sábado (14), pode ser conferida no site: https://www.canoas.rs.gov.br/semanadajuventude