• 21 de fevereiro de 2024

Gerson Luís Batistella: Liberdade de expressão e de agir

 Gerson Luís Batistella: Liberdade de expressão e de agir

A liberdade de expressão e de agir é um direito a todo o cidadão brasileiro e isso está garantido pela nossa Constituição Federal. Numa rápida interpretação poderíamos dizer que posso me manifestar livremente e da forma que entenda ser adequado para que outras pessoas conheçam o que penso a respeito dos mais variados aspectos intrínsecos ao ser humano e à vivência em grupos, em sociedade.

Nessa linha de compreensão acerca do tema todos temos o direito de opinar, achar, concordar ou discordar de algo, de alguém ou de uma situação. Vivemos num país livre e democrático, felizmente, que é o Brasil, logo estamos protegidos pelas normas constitucionais e legais. A questão a refletir é até onde e se temos algum limite para o pleno exercício desse direito tão importante na vida das pessoas.

Numa sociedade organizada, plural em opções, gostos, cores, sabores, amores e preferências dos mais diversos aspectos que nos norteiam, a reflexão posta é: Posso me manifestar e agir sem freios ou limites? Até onde a minha liberdade de expressão e agir vai? Até onde começa o direito do outro ou a minha liberdade de expressão e agir começa onde termina o direito do outro? O mundo contemporâneo tem diversos exemplos de excessos: fake news de todas as formas e assuntos (como exemplos: questões políticas, vacinas, informações plantadas e disseminadas de toda sorte), a ofensa à honra e à dignidade do meu semelhante, a opção pela destruição de bens materiais, a postagem indevida e grosseira na rede social de outra pessoa, e por aí vai.

Como brasileiros temos o direito e o dever de nos expressar, de exigir e de zelar pelos nossos direitos, mas também, sermos cientes e cumprirmos com as nossas obrigações. As redes sociais, em especial, são as destinatárias do nosso inconformismo com situações, pela não concordância com o pensar, agir e se postar de forma divergente. Medimos e enquadramos as pessoas pela nossa régua moral, de crenças, paradigmas e valores. O que não se enquadra nesses aspectos não nos serve. Desaprendemos a arte do respeito à opinião alheia, do pensar diferente, do agir e escolher diferente do que nós fazemos, e isso, não raras vezes, nos incomoda. O que fazemos? Invadimos, muitas vezes, redes sociais de outros e que, sem que ninguém tenha perguntado ou pedido, nos achamos no direito de inserirmos postagens que beiram o exagero, a falta de respeito e a grosseria. Isso faz parte do nosso conjunto de elementos intrínsecos à liberdade de expressão e de agir?

A reflexão que se impõe é no sentido de que até que ponto somos empáticos, sabendo nos colocar no lugar do outro? Até onde eu posso me expressar e agir sem que isso signifique ofender ou invadir áreas das quais eu não tenho esse direito?

A percepção que fica é que as pessoas estão continuamente se digladiando entre si, tentando impor ao outro o seu jeito de pensar e de se postar, não com ideias, argumentos consistentes, mas pela palavra áspera, pelo grito ou pela demonstração de força. Se você pensa, age e se comporta diferente de mim, você está errado. É isso que queremos?

Viver em sociedade não é um vale tudo. Alguns valores não são negociáveis: o respeito, a educação, o comprometimento com o bem e as pessoas, o desprovimento de falas e gestos que conduzam a situações caracterizadas como preconceito de todas as formas.

Em tempos conturbados e conflitantes, onde as opções e crenças de alguns não devem ser impostas a outros, em vários sentidos, fica a reflexão do quanto eu estou contribuindo para que as pessoas sejam mais unidas, que o bem prevaleça sempre, que a honestidade não precise ser dita como qualidade, pois ela é intrínseca ao ser humano, que a verdade seja a verdade e não uma mentira que se tenta transformar numa verdade. Que o respeito possa ser recuperado como um grande valor, que a minha liberdade de expressão e de agir possa ser exercida numa sociedade que respeita e que vive em harmonia mesmo com a divergência. O que eu tenho feito para que a harmonia em sociedade se sobressaia às opções e crenças individuais? Sigamos!

Gerson Luís Batistella. Administrador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas, Professor, Auditor de Controle Externo do TCE/RS.

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