• 21 de fevereiro de 2024

Gerson Luís Batistella: Eleições no Brasil e seus legados!

 Gerson Luís Batistella: Eleições no Brasil e seus legados!

Escrevo essa coluna na semana que antecede a realização do 2º turno dAs eleições no Brasil, logo a reflexão que trago independe, completamente, do resultado final de nossas eleições!

A partir dos resultados apresentados até aqui, algumas reflexões merecem a consideração de uma análise. A primeira diz respeito à qualidade das pesquisas de intenção de votos que não conseguiu, não soube ou não quis captar estatisticamente, em muitos estados, para Governador e Senadores e inclusive para o cargo de presidente a real situação dessas intenções de voto. Outra reflexão é a extrema concentração dos eleitores em poucos candidatos e partidos políticos, o que coloca em xeque a real necessidade acerca da existência de tantos partidos políticos no nosso país.
Também podemos refletir sobre as adjetivações usualmente usadas, especialmente em redes sociais e em meios de comunicação, como comunista e fascista. Não somos um povo composto por comunistas ou por fascistas, na concepção de seus reais significados, especialmente os seus malefícios. O Brasil é composto por milhões de pessoas que prezam alguns valores, refutam outros, clamam por menor distanciamento social e econômico do seu povo, que quer ter no crescimento de sua economia a geração de oportunidades, de emprego e renda, mas também quer uma educação, saúde e segurança de qualidade. As pessoas querem ser mais iguais, em oportunidades e acessos.
As pessoas, em sua imensa maioria, independentemente de suas escolhas pessoais políticas, refutam o preconceito de todos os tipos, embora ele exista com muita intensidade e essa é uma questão cultural que precisa ser tratada desde a infância para que colhamos, com o passar do tempo, talvez gerações, o fruto de um trabalho sério e responsável calcado na eliminação cultural de tais preconceitos e seus desdobramentos. Isso demanda trabalho, querer e investir.
Infelizmente, as candidaturas apresentadas não conseguiram apresentar ou levar ao eleitor e à respectiva população brasileira, projetos consistentes, viáveis e de implementação nos mais variados campos das necessidades, como saúde, educação, geração de emprego, meio ambiente, segurança, infraestrutura e outros. Gastou-se muito tempo entre defesas e ataques, retóricas, resgate de passados ou tentativa de prevenção de seu retorno. Faltou consistência, conteúdo, desinteresse da grande mídia por conhecer verdadeiramente essas áreas.
Para quem teve a paciência e o querer assistir a debates eleitorais saiu imensamente frustrado. Pouco foi apresentado, muitas ofensas e ataques, tentativas de ambos os lados do denegrir, do diminuir, do desfazer. A lição que fica é que estamos órfãos de pessoas imbuídas de espírito estadista, de capacidade de aglutinação, de defesa incondicional pelos valores, pela liberdade, pela igualdade!
Ademais, escancarou-se, num país de imensas dificuldades, a utilização de recursos que pertencem à sociedade e que deveriam, a princípio, serem aplicados nas mais sensíveis áreas de necessidade de sua população, em prol de partidos políticos, pessoas e projetos de poder, falo do fundo eleitoral na dimensão estabelecida, mais de seis bilhões de reais, emendas parlamentares e orçamento secreto, práticas que não se coadunam aos princípios de moralidade, impessoalidade e finalidade pública que devam permear as ações e decisões dos homens públicos.
Por fim, aos eleitos, o desejo de bons governos, de probidade e alta responsabilidade com o dinheiro público, de valorização dos votos e mandatos obtidos e de que, especialmente, os parlamentares estaduais e federais não abandonem os municípios nos quais receberam voto na urna e de confiança! Muito trabalho e necessidades persistirão e problemas existem para serem resolvidos, não procrastinados ou abandonados à própria sorte! Seguimos!

Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS) e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

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